sábado, 7 de outubro de 2017

A Arte do Contentamento Cristão

O CONTENTAMENTO CRISTÃO
Por
Rev. Ronaldo Soares dos Santos*
O puritano Jeremiah Burroughs, escreveu um tratado intitulado “A rara joia do contentamento cristão”.[1] Para ele, o contentamento cristão é um mistério difícil para o homem compreender, e somente a graça de Deus é que pode nos ensinar a combinar tristeza e alegria numa experiência comum de paz e contentamento. Para Jeremiah, contentamento é o fruto de um coração grato.
O consumismo tem sido uma das marcas de nossa geração. Tudo é descartável. Hoje, determinada coisa pode ser boa para o uso até surgir à próxima inovação. O fato, é que no geral, a medida do contentamento parece que nunca encontra o seu limite. Parece que é algo que sempre está por acontecer, mas nunca acontece. Normalmente, dizemos que no dia em que tivermos este ou aquele bem, ou alcançamos esta ou aquela virtude ou graça, aí então encontramos a medida de nosso contentamento. A verdade, é que sempre haverá algo por atingir, um bem que ainda não alcançamos, uma conquista que nos falta e etc. Parece-nos que o contentamento está sempre na próxima curva. Tudo isso tem levado muitos a passarem suas vidas lamentando e murmurando, mesmo tendo o suficiente para viver. É como diz um ditado popular muito conhecido: “vivem chorando de barriga cheia”. Isso é pecado!
Diante de tudo isso, pergunta-se: é possível um cristão viver nesse mundo contente e satisfeito independente das circunstancias?   
Sim, é possível. Em Filipenses 4.10-13, descreve o apóstolo Paulo declarando que aprendeu a viver contente “em toda e qualquer situação”. Para ele, tanto a humilhação quanto à honra, tanto a riqueza quanto a pobreza, tanto a fartura quanto a fome, não eram impedimento para o seu estado de contentamento. É importante sabermos que o contentamento para Paulo não significava uma acomodação em relação aos desafios da vida e da missão, nem tampouco um desinteresse por melhorar e crescer. Trata-se de um estado de alma que possui em Cristo tudo quanto lhe é necessário para sua alegria, paz e comunhão com Deus independentemente das circunstâncias.
Então, Paulo nos diz a razão, ou a base, para o seu contentamento: “Tudo posso naquele (Cristo) que me fortalece” (vs. 13). Deste modo, Paulo revela que o poder fortalecedor de Jesus é o segredo do seu contentamento.
Mas, como é possível experimentá-lo em nossos dias? Como o Apóstolo Paulo descobriu esse segredo?
Em primeiro lugar, Paulo aprendeu – ( vs.11b). A primeira lição que podemos tirar do estado de contentamento do Apóstolo Paulo é que ele “aprendeu”.  O verbo “aprender” refere-se “aprender por experiência”. Isso significa dizer que esse contentamento espiritual não era algo que ele havia assimilado imediatamente depois da conversão. O apostolo teve que passar por várias experiências a fim de aprender a viver contente. Ele considerava cada experiência boa ou ruim uma excelente oportunidade para amadurecer no seu relacionamento com Cristo e encarar as adversidades da vida de modo confiante.  
Em segundo lugar, Paulo aprendeu a viver contente – (vs.11b). A palavra traduzida por contente (no grego: autarkes) significa “autossuficiente.” Era uma das palavras prediletas dos filósofos estoicos. Os estoicos consideravam uma grande virtude a capacidade pessoal de se distanciar das circunstancias externas e encontrar em si mesmo os meios para lidar com quaisquer situações. Paulo usa o mesmo termo, contudo, com uma conotação diferente. Para Paulo, o poder ou capacidade para passar por diversas contrariedades, e ainda assim se manter contente, não vinha dele mesmo, mas estava em Cristo – “Tudo posso naquele que me fortalece”. Paulo não estava rindo em meio ao sofrimento; o que ele estava afirmando é que em Cristo ele podia superar qualquer sofrimento vitoriosamente.                
Em terceiro lugar, Paulo aprendeu viver contente “em toda e qualquer situação” – (vs.11c ).  A experiência do Apostolo vivida ao longo da sua vida com Cristo, fazia com que ele passasse as mais variáveis situações sem perder a serenidade:
__Na hora da humilhação e exaltação: SERENO;
__Na hora da fartura e fome: SERENO;
__Na hora da abundância e escassez: SERENO.  
Finalmente, Paulo declara: “Tudo posso naquele que me fortalece” – (vs.13). As aplicações mais comuns que dão a este texto são: Tudo posso ter, fazer, adquirir, conquistar, prosperar naquele que me fortalece. Todavia, não foi isso que Paulo pretendeu dizer. Considerando o contexto, o que realmente Paulo quis dizer foi: “estou pronto para passar por qualquer coisa por meio da força daquele que vive em mim.”
Era o poder de Cristo na vida do Apóstolo Paulo que lhe dava o contentamento espiritual para viver em qualquer situação. Ele aprendeu porque Cristo o fortalecia, a viver contente porque Cristo o fortalecia, em toda e qualquer situação porque Cristo o fortalecia.
Portanto, conclui-se que, a base do contentamento cristão é uma completa dependência do poder de Cristo. Em Cristo temos tudo que precisamos para viver uma vida de satisfação, paz e alegria. Ele é o Pão que sacia a nossa fome, a água que alivia nossa sede, a luz que ilumina nossa estrada e o caminho que nos conduz até ao céu.
Que possamos aprofundar o nosso relacionamento com Cristo a tal ponto de não perdermos o contentamento quando formos surpreendidos por algum infortúnio nesta vida. Antes, busquemos nele a suficiência de que necessitamos para superar as mais variadas situações. Cristo mesmo diz para aqueles que confiam nele: “...contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei. Assim, afirmemos confiadamente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei” (Hb 13.5b-6a).




* Ministro da Palavra e dos Sacramentos pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Atualmente é Pastor da Igreja Presbiteriana da Fraternidade em Feira de Santana – BA. É casado e tem um casal de filhos.
[1] Obra publicada pela Publicações Evangélicas Selecionas (PES).

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

HISTÓRIA DA HERMENÊUTICA (I)

CENTRO DE ESTUDOS PRESBITERIANO

SEMINÁRIO PRESBITERIANO FUNDAMENTALISTA DO BRASIL
TURMA: EAD – PATOS PB.
DISCIPLINA: HERMENÊUTICA
Prof. Rev. João França.
AULA – 03: BREVE HISTÓRIA DA HERMENÊUTICA ( I ).
INTRODUÇÃO:                     
No estudo da Hermenêutica Bíblica é necessário compreendermos os caminhos percorridos pelos primeiros intérpretes da Palavra de Deus para a condição da hermenêutica atual.
Neste estudo observaremos uma breve história da Interpretação com vista à compreensão dos processos e métodos hermenêuticos existentes na atualidade; pois, somente uma caminhada na história da interpretação poderá nos auxiliar no caminho a seguir para uma interpretação segura da Palavra de Deus.
I – A INTERPRETAÇÃO DO ANTIGO TESTAMENTO.
O Antigo Testamento é o primeiro documento da Escritura Sagrada a exigir uma interpretação. Quando lemos Neemias 8. Neste trecho vemos que o povo que regressara do exílio babilônico não compreendiam o que linha na Bíblia, por isso, Neemias e Esdras providenciaram os Targums que significa aqueles que explicam o texto.[1] E assim temos o primeiro processo interpretativo para a comunidade pectual.
1.      A Interpretação judaica no inicio da era Cristã:
Nos primórdios da era Cristã os rabinos judeus tendiam a seguir duas abordagens básicas para se detectar o sentido do texto sagrado.
a)      O Peshar:  É conhecido como o sentido “claro” ou “simples” que deriva a ideia de sentido literal ou sentido histórico do texto.
b)      O Remaz: Conhecido como sentido oculto da lei mosaica[2], dentro desse conglomerado. Havia também o sentido conhecido como derush termo geralmente usado para descrever o processo da exegese. O termo pode ser compreendido a partir da língua hebraica, no uso da palavra vr:*d< (derash) que tem uma gama de significados entre os quais temos: “tirar informações, indagar, procurar, buscar, preocupar-se, examinar, inquirir, pesquisar, exigir; ansiar” [3] e aqui denota “o estudo intenso, ou exame do sentido de uma passagem”.[4]
2.      A Interpretação Rabínica
Na interpretação rabínica desenvolveu-se grandes coleções de escritos interpretativos que no período cristão passou a ser conhecidos como o Mishnah, o Gemara e o Talmude.[5] Para nossos propósitos didáticos iremos apresentar apenas as regras de interpretação do famoso rabino Hillel:[6]
Regra 1: Inferência do sentido mais brando para o mais forte. Isto seria basicamente o que fazemos em filosofia dentro do silogismo. Partimos da premissa menor (o sentido mais brando) para uma premissa maior (sentido mais forte). O principio hermenêutico estabelecido é que aquilo que é verdade sobre o menor é igualmente verdade para o sentido maior.
P.e. Levando em consideração que o Sábado é mais importante  do que outros dias festivos, e aquilo que possa ser restrito no dia de Sábado era ainda singularmente mais aplicável ao dia de Sábado.
Regra 2: Analogia de expressões: As ambiguidades de passagens bíblicas eram superadas quando se fazia referências às expressões semelhantes dentro do corpo canônico.
P.e – A passagem de Levítico 16.29 diz que os judeus deveria afligir a alma no dia da expiação e  forma desse “afligireis a vossa alma” foi interpretada como um abster-se da comida com base na analogia da passagem de Deuteronômio 8.3 que usa a mesma expressão em referência ao estar com fome.
Regra 3: Aplicação por analogia com uma cláusula ou a extensão do específico para o geral.
Um principia geral era construído sobre a base de um ensinamento contido num versículo.
P.e. O caso de um homicídio culposo (sem a intenção) conforme descrito em Deuteronômio 19.
Regra 4:   Aplicação por analogia com duas cláusulas.
Isto significa que duas cláusulas bíblicas servem de base para um principio geral. Por exemplo, vemos em Êxodo 21.26-27. Nesta passagem lemos que se um escravo viesse a ter um “dente” ou um “olho destruído” este mesmo princípio deverá ser aplicado as outras partes do corpo.
Regra 5: Inferência de um princípio geral par um caso ou exemplo específico. Essa regra pode ser usada de duas maneiras – do geral para o específico ou vice-versa.
P.e O que é dito em Êxodo 22.9 – “qualquer coisa” pode ser aplicado a qualquer coisa que foi tomada por empréstimo e perdida e que deve ser reembolsada.
Regra 6: Explicação de outra passagem
            O uso de outra passagem para explicar a primeira passagem com vista a elucidação. Por exemplo, se o cordeiro pascoal deveria ser abatido caso o dia da páscoa caísse em sábado? Segundo esse princípio Números 28.10 fala de “sacrifícios diários” e por isso, o cordeiro deveria se sacrificado para a páscoa não importando o dia para isso.
Regra 7: Aplicação de uma inferência evidente por si só em um texto.
            Esta regra lembra que nenhuma declaração deve ser tomada de modo isolado, mas somente à luz do seu contexto.


II – A INTERPRETAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO.
            Neste momento o nosso estudo se ocupará em lidar com as questões relacionadas com a interpretação neotestamentária desde a forma como o Novo Testamento interpreta o Antigo até as avaliações interpretativas deste segundo testamento.
Antes de tudo devemos lembrar que há “224 citações diretas do Antigo Testamento dentro do Novo Testamento”.[7] Cristo fez bom uso do Antigo Testamento através de seus ensinos (Marcos 2.25-28 e João 7.23; João 10.34-36).
Paulo também faz bom uso no Antigo Testamento no Novo Testamento. Vemos ele valer-se de uma alegoria para referir-se a relação que o Cristão tem com a Lei conforme lemos em Gálatas 4.24-31.
No capítulo 10.1-6 de 1ª Coríntios encontramos Paulo fazendo aplicação de eventos históricos-redentivos como uma alusão à Cristo bem como referência ao novo momento que a Aliança se aplica à igreja. E ainda em Gálatas 3.29 Paulo argumenta que Cristo é o Messias baseando seu argumento na distinção entre singular e plural da palavra semente – ou descendente.
III – A INTERPRETAÇÃO NA PATRÍSTICA
            Uma fonte bastante interpretativa na História da Interpretação é certamente os escritos dos pais apostólicos. Por questões de espaço iremos apresentar, de forma lacônica, as ideias gerais das escolas de interpretação deste período:
3.1 – A Escola de Alexandria:
            Para esta escola de interpretação as Escrituras deveriam ser interpretadas alegoricamente.[8]Trata-se de uma das escolas mais antigas de interpretação.[9] O pai dessa escola de interpretação foi Clemente de Alexandria, ele “acreditava que as Escrituras ocultavam seu verdadeiro significado a fim de que fossemos inquiridores, e também porque não é bom que todos a entendam”.[10] Virkler lembra-nos que Clemente de Alexandria “ desenvolveu a teoria de que cinco sentidos estão ligados à Escritura (histórico, doutrinário, profético, filosófico, e místico), com as mais profundas riquezas disponíveis somente aos que entendem os sentidos mais profundos.”[11] O principio da alegorização se difundiu neste período que era quase impossível um escritor deste tempo não interpretar valendo-se dessa escola.
            Ressaltamos também que o conceito “de que a verdade se encontra alegoricamente oculta além da letra e da realidade visível”[12] era dominante neste escola interpretativa, ou seja, o sentido natural e simples da passagem não era considerado a verdade clara. Vejamos um exemplo da interpretação alegórica de Gênesis 22.1-4 em Clemente de Alexandria:
Quando, no terceiro dia, Abraão chegou ao lugar que Deus lhe havia indicado, erguendo os olhos, viu o lugar à distância. O primeiro dia é aquele constituído pela visão de coisas boas; o segundo é o melhor desejo da alma; no terceiro a mente percebe coisas espirituais, sendo os olhos do entendimento abertos pelo Mestre que ressuscitou no terceiro dia. Os três dias podem ser o mistério do selo (batismo) no qual cremos realmente em Deus. É, por consequência, à distância que ele percebe o lugar. Porque o reino de Deus é difícil de atingir, o qual Platão chama de reino de ideias, havendo aprendido de Moisés que se tratava de um lugar que continha todas as coisas universalmente. Mas Abraão corretamente o vê à distância, em virtude de estar ele nos domínios da geração, e ele é imediatamente iniciado pelo anjo. Por esse motivo diz o apóstolo: "Porque agora vemos como em espelho, obscuramente, então veremos face a face", mediante aquelas exclusivas aplicações puras e incorpóreas do intelecto.[13]

Entretanto, o maior expoente da escola de interpretação alegórica foi Orígenes. Ele “é o membro mais  destacado da escola Alexandrina, e é ele quem afirma de forma mais completa e adequada os princípios da alegorização cristã”[14]. Ele sustentava a ideia de que cada parte da Escritura é alegórica. Ele entendia que o sentido literal é “valioso, mas algumas vezes obscurece o sentido primário, que é o espiritual. O literal é para os iniciantes, mas o espiritual é para os maduros na fé.”[15] Virkler nos lembra:
Orígenes acreditava que assim como o homem se constitui de três partes — corpo, alma e espírito — da mesma forma a Escritura possui três sentidos. O corpo é o sentido literal, a alma o sentido moral, e o espírito o sentido alegórico ou místico. Na prática, Orígenes tipicamente menosprezou o sentido literal, raramente se referiu ao sentido moral, e empregou constantemente a alegoria, uma vez que só ela produzia o verdadeiro conhecimento.[16]
Esse sistema interpretativo foi construído sobre a doutrina da correspondência, onde um elemento natural e físico nas Escrituras (sentido natural claro) é acompanhado de um elemento ou acontecimento análogo à realidade espiritual.[17]
3.2 – A Escola de Antioquia.
                Havia uma escola que se fazia oposição ao alegorismo alexandrino que ficou conhecida como Escola de Antioquia. O verdadeiro fundador desta escola foi provavelmente Luciano de Samosata. Outras acham que fora o Presbítero Diodoro o fundador da famosa escola. Entretanto, há dois fundamentais representantes desta escola de interpretação: Theodoro de Mopsuéstia e João Crisóstomo. Virkler sumariza para nós a distinção entre as duas escolas de forma bastante lacônica:
Teodoro de Mopsuéstía (c. 350—428), defendiam com o maior zelo o princípio da interpretação histórico-gramatical, isto é, que um texto deve ser interpretado segundo as regras da gramática e os fatos da história. Evitavam a exegese dogmática, asseverando que uma interpretação deve ser justificada por um estudo de seu contexto gramático e histórico, e não por um apelo à autoridade. Criticavam os alegoristas por lançarem dúvida na historicidade de muita coisa do Antigo Testamento[18]

Esta escola rejeitou a interpretação alegórica também fez a distinção entre o gênero alegórico e a interpretação alegórica; explicou os textos cristológicos do Antigo Testamento por meio da interpretação tipológica baseada nos padrões regulares das Escrituras, buscavam a intenção autoral como o sentido natural das Escrituras[19]. Ressaltamos que os Reformadores se identificaram com esta escola de interpretação.
3.3  - A Escola do Ocidente.
            Na patrística temos uma escola de interpretação ocidental que é conhecida como a mais eclética (ela vale-se tanto dos princípios dos alexandrinos quanto dos antioquianos). Segundo Kaiser a importância desta escola se dá exatamente porque  nela se insere a autoridade da tradição na interpretação bíblica[20] como algo importante a ser considerado. Os principais representantes desta escola são Hilário, Ambrósio e, especialmente, Jerônimo e Agostinho.
            Agostinho desenvolveu princípios hermenêuticos importantes em sua  obra  De Doctrina Christiana. Nesta importante obra ele ressaltou a necessidade de um sentido literal como sendo a base essencial para o sentido alegórico. Mas, ele mesmo não hesitou em usar o método alegórico de forma livre. Quanto uma passegem necessitava deu análise decisiva ele apelava para a regula fidei (regra de fé), que de acordo com o próprio Agostinho é conjunto de doutrinas da igreja. Aqui a tradição começa a ganhar força na interpretação das Escrituras.
Vale ressaltar que a Bíblia e a tradição (vista como o testemunho da Igreja) devem andar juntas, nos precisamos ouvir a ambas ou como coloca sabiamente um autor reformado presbiteriano:
A Bíblia sozinha seria a religião dos protestantes. O problema e que a Bíblia nunca esta sozinha. O próprio Calvino, que falou da autoridade da Bíblia nos termos mais elevados, sempre leu-a e ouviu-a segundo as tradições. Sua revisão litúrgica foi feita de acordo com as praticas da Igreja Antiga, o mesmo sucedendo com a organização eclesiástica por ele desenvolvida[21]
Agostinho fez com que a tradição se avultasse sobre as Escrituras de forma  prejudicar a interpretação da mesma. Queremos deixar claro que podemos ler a Bíblia com as tradições, o problema encontra-se quando as tradições estão se opondo a Bíblia. A Igreja é a coluna e baluarte da verdade (1 Tm.3.15). E vivemos uma época em que a historia da igreja (que funciona como testemunho para nós) tem sido negligenciada, mais uma vez Leith nos adverte para isso:
Os protestantes têm sido sempre tentados a crer que, de alguma forma, podem ignorar todos os séculos da historia crista, estudando a Bíblia sem ajuda e os embaraços dos que os antecederam. Na verdade, porem, aqueles que se recusam a ler a Bíblia a luz das tradições da Igreja acabam sendo dominados pelas suas próprias tradições históricas e culturais[22]
Agostinho também seguiu, infelizmente, o método chamado de quadriga. Que consistia em compreender que as Escrituras possuíam um sentido quádruplo:
1.      Histórico; 2. Etiológico (uma investigação da origem e das causas); 3. Analógico e 4. Alegórico. Este método surgiu com João Cassiano sobre a cidade Jerusalém ele ensinou: Jerusalém literalmente significa a cidade dos Judeus; alegoricamente  Jerusalém é a igreja (Salmos 46.4-5); Tropologicamente , Jerusalém é a alma (Salmos 147.1-2,12); e, anagogicamente, Jerusalém é nosso lar celestial (Gálatas 4.26). O próprio Cassiano reconhecer que o sentido da quadriga  não se aplicava a todos os textos das Escrituras, e enfatizava a busca pelo sentido natural e literal do texto sagrado.[23]

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1.      ANGLADA, Paulo Roberto Batista. Introdução à Hermenêutica Reformada. Ananindeua: Knox, 2006
2.      GRANT, Robert.; TRACY, David. A Short History of the Interpretation of the Bible USA: Fortress Ress,1984
3.      KAISER JR, Walter. C.; SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2009
4.      LEITH, John. A Tradição Reformada – Uma Maneira de ser a Comunidade Cristã. São Paulo: Pendão Real, 1999
5.      LOPES, Augustus Nicodemus. A Bíblia e Seus Intérpretes. São Paulo: Cultura Cristã, 2004
6.      NICOLE, Roger. New Testament Use Of The Old Testament in: Carl F. H. Henry - REVELATION AND THE BIBLE Contemporary Evangelical Thought.
7.      SCHWANTES, Milton. Dicionário de Hebraico-Português & Aramaico-Português. São Paulo: Vozes e Sinodal,  2003, p.51.
8.       VIRKLER, Henry A. Hermenêutica Avançada. São Paulo: Vida, 1987





[1] KAISER JR, Walter. C.; SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p.204.
[2] Idem
[3] SCHWANTES, Milton. Dicionário de Hebraico-Português & Aramaico-Português. São Paulo: Vozes e Sinodal,  2003, p.51.
[4] LOPES, Augustus Nicodemus. A Bíblia e Seus Intérpretes. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p.51
[5] KAISER JR, Walter. C.; SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p.204.
[6] Ibid, p.205-206.
[7] NICOLE, Roger. New Testament Use Of The Old Testament in: Carl F. H. Henry - REVELATION AND THE BIBLE Contemporary Evangelical Thought , p.137.
[8]KAISER JR, Walter. C.; SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p.211.
[9] ANGLADA, Paulo Roberto Batista. Introdução à Hermenêutica Reformada. Ananindeua: Knox, 2006 ,p.27.
[10] VIRKLER, Henry A. Hermenêutica Avançada. São Paulo: Vida, 1987, p. 44.
[11] Idem.
[12] LOPES, Augustus Nicodemus. A Bíblia e Seus Intérpretes. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p.51
[13] VIRKLER, Henry A. Hermenêutica Avançada. São Paulo: Vida, 1987, p. 44.
[14]GRANT, Robert.; TRACY, David. A Short History of the Interpretation of the Bible USA: Fortress Ress,1984, p.56
[15] LOPES, Augustus Nicodemus. A Bíblia e Seus Intérpretes. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p.132.
[16] VIRKLER, Henry A. Hermenêutica Avançada. São Paulo: Vida, 1987, p. 44.
[17] KAISER JR, Walter. C.; SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p.212.
[18] VIRKLER, Henry A. Hermenêutica Avançada. São Paulo: Vida, 1987, p. 46.
[19] ANGLADA, Paulo Roberto Batista. Introdução à Hermenêutica Reformada. Ananindeua: Knox, 2006 ,p.61
[20] KAISER JR, Walter. C.; SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p.214
[21] LEITH, John. A Tradição Reformada – Uma Maneira de ser a Comunidade Cristã. São Paulo: Pendão Real, 1999, p. 20
[22] Idem.
[23] KAISER JR, Walter. C.; SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p.214.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A NECESSIDADE DA HERMENÊUTICA

A NECESSIDADE  DA HERMENÊUTICA.
Rev. João Ricardo Ferreira de França.
Introdução:
No estudo da interpretação bíblica devemos considerar alguns aspectos importantes para uma hermenêutica adequada da Palavra de Deus. Uma das dificuldades que encontramos hoje na vida da Igreja é certamente a falta de compreensão sobre quem realmente necessita da Hermenêutica Bíblica.
Nesta aula nós iremos analisar de perto a questão da necessidade  desta disciplina na vida da igreja de Cristo. Todos nós interpretamos o mundo que nos cerca, conforme vimos na aula anterior. Pois, todos nós temos pressupostos na leitura das Escrituras.
I – QUEM PRECISA DE HERMENÊUTICA?
Esta é uma daquelas questões que não deveria ser suscitar  debates. Uma vez que todos nós, de modo ou de outro, somos intérpretes de tudo o que nos cerca. Mas, interpretar a Bíblia? Ora, por que há essa necessidade de interpretar as Escrituras? Muitos cristãos dizem que não precisam estudar hermenêutica, ou seja, julgam que não precisam dela.
Os que pensam na necessidade da disciplina hermenêutica argumentam que a Bíblia é um livro divino, e assim, “exige de nós algum treinamento especial para entendê-la”.[1], mas, tal resposta deixa-nos em uma situação paradoxal, conforme nos lembra AlonsoSchökel: “Se alguém é capaz de falar de maneira absolutamente clara e tornar-se compreensível com eficácia irresistível, esse tal é Deus; portanto, se há alguma palavra que poderia não exigir hermenêutica, essa seria a palavra divina”.[2] E, é exatamente neste lado do pêndulo que muitos se agarram, especialmente quando se conhece a doutrina protestante da perspicuidade das Escrituras [clareza das Escrituras] e dizem que em si mesmas as Escrituras são claras. E o que decorre disso é a negação da Hermenêutica Bíblica. Tal postura nega a importância da interpretação dos textos sagrados.  Osborne alerta:
A hermenêutica é importante porque capacita a pessoa a se movimentar do texto para o contexto, para que o significado inspirado por Deus na Bíblia fale hoje com uma relevância tão nova e dinâmica quanto em seu ambiente original. Além disso, pregadores ou professores devem anunciar a Palavra de Deus em vez de suas opiniões religiosas repletas de subjetividade. Só uma hermenêutica bem definida pode manter alguém atrelado ao texto.[3]
Mas, um ponto importante não é fato que as escrituras precisam ser interpretadas por causa de sua natureza divina, mas exatamente por causa do seu lado humano. As Escrituras são apropriadamente chamada “palavra divina em palavras humanas” [4] Esta necessidade interpretativa é necessária exatamente porque a linguagem humana é “equivoca”[5] A linguagem humana tem gerado muitos mal-entendidos, e por esta, razão se faz necessário o estudo da hermenêutica.
II – AS RAZÕES PARA A NECESSIDADE DA HERMENÊUTICA:
Consideremos neste momento as razões pelas quais se justifica a necessidade da hermenêutica.
2.1 – A Corrupção Natural do Homem:
            Um dos aspectos fundamentais para a necessidade da interpretação é a condição espiritual do homem. O homem depois da queda possui os “olhos do entendimento” entenebrecido (Efésios 4.17-18) – observemos a expressão: “entenebrecido no entendimento”[ ἐσκοτωμένοι  τῇ  διανοίᾳ- eskotômenoi tê dianoia] aponta para o fato de que a mente do homem  foi afetada pela queda. Logo, ele não consegue compreender adequadamente a Palavra de Deus. A evidência textual desta necessidade é certamente 1ª Coríntios 2.14-15 – o homem natural não pode entender as realidades espirituais.
2.2 – O Abismo Cultural:
Precisamos saber interpretar a Bíblia para superar o Abismo Cultural. A Bíblia como livro vindo da lavra humana tem perspectivas culturais significativas. Ler o livro de Gênesis e perceber fatos como no capítulo 15 - o dividir os animais ao meio - e saber que culturalmente era assim que se processava na cultura de então ao afirmar uma aliança; ajuda-nos a entender porque Deus não permitiu que o patriarca passe no meio daqueles pedaços partidos. Alguém já disse que cada “um de nós vê a realidade através dos olhos condicionados pela cultura e por uma variedade de outras experiências.”[6]
2.3 – O Problema da Língua:
A Bíblia foi escrita em outra língua que não é a nossa. As Escrituras foram redigidas em três idiomas diferentes e até desconhecido para a maioria de nós:


Estes são os principais elementos importantes para justificar a necessidade da Hermenêutica Bíblica.
III – A HERMENÊUTICA LIVRE DE PRESSUPOSTOS: É POSSÍVEL?
            A grande pergunta que precisamos fazer ao estudar o tema da necessidade da Interpretação Bíblica. É aquela que questiona: É possível interpretamos a Palavra de Deus livre de pressupostos?
            A resposta a esta indagação é negativa. Ainda que os adeptos da Escola Racionalista de Interpretação (Método Histórico-crítico) cheguem a afirmar que “a exegese bíblica deve ser praticada de modo neutro, isento de pressuposições teológicas apriorísticas”[1], entretanto, tal tese não se sustenta. Pois, as pressuposições ocupam um lugar bastante importante no processo interpretativo, o pressuposicionalismo desenvolvido por Vantil e Kyper revelam esta verdade.[2] Que pressuposições devemos ter ao nos aproximar da Bíblia para o processo de interpretação?
3.1 – A Doutrina da Revelação:
A ideia de que Deus se revela nas obras da criação é o pressuposto capital para o processo interpretativo das Escrituras (Salmos 19.1-4; Romanos 1.18-20), neste aspecto podemos dizer que a criação que uma revelação natural de Deus  o livro no qual Deus revela quem ele é como criador. Este aspecto da revelação não salva ninguém; mas, aprove a Deus revelar-se diretamente, e a assim se procedeu por meio do Seu Espírito Santo, por Revelação direta, por teofanias, por anjos, sonhos, visões, inspiração e Seu Filho Jesus(Ex. 3. 16; Sl 147. 19, 20; Hb. 1. 1,2; Gl. 1. 11, 12). Deus não é o totalmente oculto, mas é o que se revela nas obras da criação e da providência (veja-se a Confissão de Fé de Westminster Capítulo 1.1).
Levemos em consideração que a forma de Deus comunicar a obra redentora é por meio da Revelação Especial (Escritura Sagrada) conforme vemos em 1ª Timóteo 3.15 e 2ª Timóteo 3.15-16.
3.2 – A Doutrina da Inspiração Verbal e Plenária das Escrituras:
            Outro pressuposto que devemos ter antes de irmos ao processo interpretativo do texto das Escrituras; é aquele que declara ser a Bíblia plenamente soprada pelo Espírito Santo. Paulo Anglada lembra-nos que a “doutrina da inspiração é a pressuposição bibliológica fundamental da hermenêutica reformada.”[3] Esta doutrina é  o “fundamento da hermenêutica e exegese”[4] da Reforma. A própria Escritura (Evidência Interna) dá testemunho de si como inspirada por Deus (Ex. 4. 22; Jz 6. 8; Is 43. 14; ISm 15. 23; Jr. 1. 4; Mt 5. 17, 17; Jo10. 35; Hb. 3. 7ss).
3.3 – A Doutrina da Autoridade das Escrituras:
            Outro pressuposto importante é a compreensão de que as Escrituras possuem plena autoridade sobre a vida da igreja e sobre aquele que interpreta a Bíblia Sagrada. Esta doutrina é de fundamental importância para aqueles que pretendem estudar e interpretar as Escrituras Sagradas.
            Aquilo que nós compreendermos sobre a autoridade absoluta das Escrituras fará toda diferença no estudo hermenêutico das Escrituras. Packer vai nos dizer que a autoridade das Escrituras “repousa na inspiração” [5]. A Bíblia guia a nossa vida e dita a forma como devemos ver e adorar a Deus naquilo que ele requer de nós. Cristo sempre apelou para as Escrituras como a um tribunal supremo. Em qualquer controvérsia ele usava a expressão “está escrito” indicando que a palavra final deve ser dada a Palavra inspirada por Deus. Vejamos isso detalhadamente em Mateus 4.4,6,710.
            Cristo ao usar a expressão“esta escrito” usa a forma verbal em grego “ge,graptai” – gégraptai –e um verbo no perfeito que indica uma ação continua, significando “permanece escrito, então, o Senhor Jesus esta apelando para a autoridade da Biblia como fonte autorizada da verdade
3.4 – A doutrina da Suficiência das Escrituras:
            Ao interpretarmos as Escrituras devemos considerar que elas são profundamente suficientes para a vida e piedade do crente. O lema Sola Scriptura aponta para a realidade de uma Bíblia suficiente.
            Mas, o que é essa doutrina? A resposta mais simples e clara que podemos oferecer a esta pergunta e que o “Sola Scriptura ensina que a Bíblia regula a vida em sua totalidade”[6] a Confissão de fé fala-nos do quanto as Escrituras sao realmente suficientes para a igreja. Os teólogos puritanos declaram: “Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela.” (CFW – capítulo 1. Seção 6) – veja-se: 2ª Tim.3.15-17.
Aqui nós temos um conceito subjacente ao Sola Scriptura [Somente a Escritura] que é o de Toda Scriptura [ Toda Escritura], também desenvolvido na reforma protestante; e, de Acordo com Fred Klooster, “este ponto de vista a respeito da Escritura como “única e  completa’ (sola e tota Scriptura) é exclusivamente reformado”[7]
Então, ao interpretamos o texto sagrado devemos ir até uma Bíblia suficiente. Não estamos interpretamos um documento incompleto, imperfeito que precisa ser adicionado com outros ditos, ou com novas revelações; o estudo sério e laborioso das Escrituras se torna compensador quando pressupomos que estamos diante da vontade suficiente de Deus apresentada nas Escrituras.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1.      ALONSO-SCHÖKEL, Luis. Hermenéutica de la Palavra. Madrid: Cristandad, 1986, volume 1.
2.      ANGLADA, Paulo Roberto Batista. Introdução à Hermenêutica Reformada. Anamindeua: Knox Publicações, 2006.
3.      BEEKE, Joel. R. Vivendo para a Glória de Deus – Uma Introdução à Fé Reformada. Tradutor: Francisco Wellignton Ferreira. São Paulo: Editora Fiel, 2010.
4.      DIAS. Cassio Murilo. Manual de Exegese Bíblica. São Paulo: Paulinas, 2006
5.      KAISER JR, Walter C.; SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.
6.      OSBORNE, Grant. R. A Espiral Hermenêutica. São Paulo: Vida Nova, 2009.
7.      PAKER, James I. Vocábulos de Deus. São Paulo: Fiel, 2002.
8.      SCHWERTLEY, Braian. M. Sola Scriptura e o Princípio Regulador do Culto. Tradutor: Marcos Vasconcelos. São Paulo: Editora os Puritanos, 2000.
9.      VIRKLEY, Henry. Hermenêutica Avançada. São Paulo: Vida, 1987.





[1] ANGLADA, Paulo Roberto Batista. Introdução à Hermenêutica Reformada. Anamindeua: Knox Publicações, 2006, p.18.
[2] Veja-se KAISER JR, Walter C.; SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 222-223.
[3] ANGLADA, Paulo Roberto Batista. Introdução à Hermenêutica Reformada. Anamindeua: Knox Publicações, 2006, p.136.
[4] Ibid, p.137.
[5] PAKER, James I. Vocábulos de Deus. São Paulo: Fiel, 2002, p. 33.
[6] SCHWERTLEY, Braian. M. Sola Scriptura e o Princípio Regulador do Culto. Tradutor: Marcos Vasconcelos. São Paulo: Editora os Puritanos, 2001, p.1.
[7] Apud¸ BEEKE, Joel. R. Vivendo para a Glória de Deus – Uma Introdução à Fé Reformada. Tradutor: Francisco Wellignton Ferreira. São Paulo: Editora Fiel, 2010, p. 150



[1] KAISER JR, Walter C.; SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 14.
[2]ALONSO-SCHÖKEL, Luis. Hermenéutica de la Palavra. Madrid: Cristandad, 1986, volume 1, p.83.
[3] OSBORNE, Grant. R. A Espiral Hermenêutica. São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 27.
[4] DIAS. Cassio Murilo. Manual de Exegese Bíblica. São Paulo: Paulinas, 2006, p. 11
[5] KAISER JR, Walter C.; SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 14.

[6] VIRKLEY, Henry. Hermenêutica Avançada. São Paulo: Vida, 1987, p 12

O ENSINO DA CESSAÇÃO DA REVELAÇÃO ESPECIAL NA CONFISSÃO DE WESTMINSTER

  O Ensino da Confissão de Westminster sobre a Cessação da Revelação Especial Por David F. Coffin, Jr. Tradução: Rev. João Ricardo Fer...