quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A TRADIÇÃO REFORMADA E A POLÍTICA

A TRADIÇÃO REFORMADA E A POLÍTICA
Rev. João Ricardo Ferreira de França.

Introdução:
            Atualmente estamos vivendo em uma época no qual a política tem sido desacreditada, mas que o estado tem sido valorizado; há outra sintomática muito curiosa é que somos ensinados de que o cristão não deve se envolver em política. Esta é a concepção do mundo evangelical como todo.
            Entretanto, como herdeiros da Tradição Reformada ou Calvinista possuímos um pensamento distinto quanto a este particular. Entendemos que a força propulsora das principais estruturas governamentais em nosso mundo ocidental deve muito ao pensamento e a influência de João Calvino. B.B. Warfield nos lembra que “ as raízes do calvinismo estão plantadas em uma atitude religiosa específica...desta emana, uma organização eclesiástica especial [...] envolvendo uma ordem política específica”.[1] E esta concepção garante as liberdades individuais conforme aprendemos com Biéler: “Denis de Rougemont ponderou que nenhuma ditadura moderna se estabeleceu em país influenciado pela Reforma calvinista.”[2]

I – A CONCEPÇÃO CALVINISTA / REFORMADA DE POLÍTICA.

            Para compreendermos a ideia de política desenvolvida pela concepção calvinista, devemos levar em consideração o que significa Magistrados? A CFW (Confissão de Fé de Westminster) possui um capítulo que aborda esta temática. Primeiro, assegurando que o papel do Magistrado Civil é fazer com a que a lei seja implantada de forma correta e seja cumprida de forma correta (defesa dos justos e castigos dos mauas); em segundo lugar, assegura que qualquer cristão que for vocacionado deve exercer o magistrado civil.
            Os anabatistas (rebatizadores) olham para todo o governo político como algo carnal, e por isso, o cristão não deve se engajar neste processo. Entretanto, para a concepção reformada e para o próprio Calvino os magistrados são como representantes de Deus neste mundo:
No que respeita à função dos magistrados, não só é aprovada e aceitável ao Senhor, mas também ele a honrou com títulos mui eminentes, além de no-la recomendar com cumulada dignidade. Para lembrar apenas uns poucos títulos: o fato de que são chamados deuses todos quantos exercem a função de magistrados, não deve levar ninguém a pensar que nessa designação reside leve importância, pois com ela significa que possuem um mandato de Deus, que foram providos de divina autoridade e representam inteiramente a pessoa de Deus, cujas vezes de certo modo desempenham.[3]
Vimos que os magistrados são colocados como se fossem representantes de Deus neste mundo. Mas, a pergunta seguinte é interessante: Como devemos agir em relação aqueles que não governam de modo que não refletem as leis de Deus?
Calvino responde a esta questão de três  formas importantes:
1)      Devemos ser submissos as autoridades constituídas (Tito 3.1):
Calvino nos diz comentando este texto que o apóstolo Paulo tinha muita “dificuldade em manter o povo comum em sujeição à autoridade dos magistrados e príncipes. Por natureza, todos nós somos desejosos de poder, de sorte que ninguém tem disposição para submeter-se a otutrem.[...] Paulo agora se volta para eles e os admoesta em termos gerais no sentido em que tranquilamente respeitassem a ordem do governo civil. Obedecem às leis e se submetessem aos magistrados. Pois a sujeição aos príncipes e a obediência aos magistrados que o apóstolo requer se estende também aos éditos e leis bem como a outros deveres cívicos.[4]

            Em seu comentário aos Romanos sobre o capítulo 13.1 ele assegura a mesa verdade quando comenta a expressão “autoridades superiores” declara: “Os magistrados, pois, são assim chamados em relação aos que se acham a eles sujeitos...” e ainda continua dizendo: “A razão porque devemos estar sujeitos aos magistrados é que eles foram designados pela ordenação divina.”[5]

2)      Oração pelos Magistrados é um dever do calvinista:
Calvino ensina isso de forma muito clara quando ele comenta o texto de Jeremais 29.7. O próprio reformador nos lembra que Jeremias exorta o povo do pacto a fazer isso:
Jeremias vai ainda mais longe, mesmo que os judeus tenham sido levados para a Babilônia, com a condição de prestar obediência voluntária à autoridade do rei Nabucodonosor, e a forma de testemunhar isso era  por suas orações. Ele não só lhes ordena pacientemente para aguentar o castigo que cai sobre eles, mas também para fossem fiéis súditos de seu conquistador; ele não só proíbe que eles sejam sediciosos, mas incitá-os a  obedecer a partir do coração, para que Deus seja um testemunho da sua sujeição e obediência.[6]

3)      O Dever de Resistir a um estado tirânico e totalitário:
O terceiro elemento da concepção calvinista de política é a legitimidade de resistir a um estado ou governo déspota, tirânico ou totalitário. A chamada desobediência civil é possível e legítima quando o governo se mostra totalitário.  O próprio Calvino assegura este fato ao comentar:
Mas, se agora alguns são constituídos magistrados do povo para moderar-se a prepotência dos reis, como eram outrora os éforos que foram contrapostos aos reis lacedemônios; ou os tribunos da plebe aos cônsules romanos; ou os demarcas ao senado dos atenienses; e, como estão as coisas agora, talvez também de qualquer poder que em cada reino exercem as três ordens representativas quando realizam [7]suas assembléias gerais; a tal ponto não os proíbo de, em função de seu ofício, resistir ao estuante desbragamento dos reis que, se se façam coniventes aos reis a oprimirem e assolarem violentamente ao populacho humilde. Eu afirmaria que tão nefária perfídia não carece de sua dissimulação, visto que estão a trair fraudulentamente a liberdade do povo, da qual devem saber que foram postos por guardiães pela ordenação de Deus.

II – O ATIVISMO POLÍTICO E A CONCEPÇÃO CALVINISTA:

            A segunda questão que devemos encarar com uma pergunta pertinente. Devem os cristãos se envolver no ativismo político? Esta pergunta é importante porque ainda paira dúvidas nos corações dos crentes piedosos sobre este assunto. O cristão e a política em nosso contexto parece ser excludentes. Mas, será mesmo?
2.1 – Considerando aspectos negativos do ativismo político:
            Um famoso teólogo conhecido com John Marcarthur Jr. Oferece quatro razões pelas quais os crentes não deveriam se envolver com o ativismo político:
1.      Denigre a soberania de Deus na História humana.
2.      Promove valores bíblicos na cultura usando meios carnais e egoísta.
3.      Apresenta um falso senso de moralidade.
4.      Um risco de alienar os incrédulos e vê-los apenas como políticos.
Para Marcarthur Jr. A igreja é quem podem mudar as estruturas sociais da sociedade por meio da pregação do evangelho.

2.2 – Aspectos positivos do envolvimento com o ativismo político:
            Apresentemos agora algumas das razões porque os crentes deveriam se envolver no ativismo político de forma sábia, justa e piedosa:

1.      Compreendendo que os reformadores sempre foram incentivadores disto. Pois, olhavam o Magistrado Civil como sendo uma forma de melhorar a vida do povo.
2.      Porque a CFW apresenta como alguém plausível aos que tem o dom para tal:
II. Aos cristãos é licito aceitar e exercer o ofício de magistrado, sendo para ele chamado; e em sua administração, como devem especialmente manter a piedade, a justiça, e a paz segundo as leis salutares de cada Estado, eles, sob a dispensação do Novo Testamento e para conseguir esse fim, podem licitamente fazer guerra, havendo ocasiões justas e necessárias.

Ref. Prov. 8:15-16; Sal. 82:3-4; II Sam. 23:3; Luc. 3:14; Mat. 8:9-10; Rom. 13:4.[8]

3.    Porque faz parte do mandato cultural:

Quando ignorando a nossa vocação política nos esquecemos de que Deus ao homem o dever de construir uma sociedade. Conformes aprendemos em Gênesis 1.26-28. Uma escritora nos lembra:

Em Gênesis, Deus dá o que chamaríamos de a primeira descrição de cargo:"Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a..." (Gn 1.28) A primeira frase —"Frutificai, e multiplicai-vos" — significa desenvolver o mundo social: formar famílias, igrejas, escolas, cidades, governos, leis. A segunda frase —"enchei a terra, e sujeitai-a" — significa subordinar o mundo natural: fazer colheitas, construir pontes, projetar computadores, compor músicas. Esta passagem é chamada de o mandato cultural, porque nos fala que nosso propósito original era criar culturas, construir civilizações — nada mais.[9]

As implicações disso é que o homem é chamado para governar o mundo, ou seja, para exercer um ativismo político governamental como um mandato de Deus.

III – ESTADO LAICO? O SISTEMA CALVINISTA E A RELAÇÃO ENTRE IGREJA E ESTADO.
            Atualmente tornou-se muito comum pensar que Estado Laico significa Estado sem religioso, ou areligioso ou ateu. Será que isso procede? A laicidade do estado indica que se deve ser um estado sem religião ou uma nação sem noções religiosas?

  1. O que é laicidade do Estado
            A concepção reformada ou calvinista nos ensina que a Igreja e o Estado têm responsabilidades diferentes ou separadas. No pensamento calvinista a igreja trata das questões espirituais e o estado trata das questões temporais.
            Mas, a grande questão é a seguinte: Qual é a relação do estado com a primeira tábua da lei de Deus? Ou seja, qual é o papel do Estado em relação a Igreja? A tradição calvinista e reformada expressa na Confissão de Fé de Westminster em seu capítulo 23 responde-nos:
III - Os magistrados civis não podem tomar sobre si a administração da palavra e dos sacramentos ou o poder das chaves do Reino do Céu, nem de modo algum intervir em matéria de fé; contudo, como pais solícitos, devem proteger a Igreja do nosso comum Senhor, sem dar preferência a qualquer denominação cristã sobre as outras, para que todos os eclesiásticos sem distinção gozem plena, livre e indisputada liberdade de cumprir todas as partes das suas sagradas funções, sem violência ou perigo. Como Jesus Cristo constituiu em sua Igreja um governo regular e uma disciplina, nenhuma  lei de qualquer Estado deve proibir, impedir ou embaraçar o seu devido exercício entre os membros voluntários de qualquer denominação cristã, segundo a profissão e crença de cada uma. E é dever dos magistrados civis proteger a pessoa e o bom nome de cada um dos seus jurisdicionados, de modo que a ninguém seja permitido, sob pretexto de religião ou de incredulidade, ofender, perseguir, maltratar ou injuriar qualquer outra pessoa; e bem assim providenciar para que todas as assembléias religiosas e eclesiásticas possam reunir-se sem ser perturbadas ou molestadas.

Ref. Heb. 5:4; II Cron. 26:18; Mat. 16:19; I Cor. 4:1-2; João 15:36; At. 5:29; Ef. 4:11-12; Isa. 49:23; Sal. 105:15; 11 Sam.23:3.

            O dever do Estado é a defesa da Igreja, isto também é expresso na nossa Constituição Federal no Título 2 – capítulo 1, no artigo 5 incisos 6 e 7.
  1. A Negação da Laicidade do Estado nas concepções políticas atuais
Nas estruturas políticas atuais vemos partidos políticos e indivíduos públicos sustentaram ideologias anticristã, em nome da laicidade do estado e tais concepções se mostram nas seguintes áreas:
a)      A negação da religião:
A Religião ficou de fora nas discussões políticas, pois, é tratada como mera opinião e não como conhecimento verdadeiro; na falsa concepção de que para que o estado mantenha sua laicidade é necessário impedir que discursos religiosos ou homem que se declaram abertamente cristãos assumam a liderança do estado. Pearcy nos lembra que no pensamento atual “A religião não é considerada uma verdade objetiva à qual nos submetemos, mas trata-se de mera questão de gosto pessoal que escolhemos.[10] Por isso, há tanto empenho de uma parcela da política moderna em varrer toda noção religiosa ou cristã de nossa sociedade.
b)      A queda dos valores morais:
O relativismo tornou-se o padrão no joguete político de nossos dias. O relativismo é aquela postura de que não há mais valores absolutos. Nós assistimos todos os dias notícias de corrupção, de desvio de verbas para enriquecimento ilícitos, vemos que os líderes partidários dizem: “é ele (a) roubou, mas foi por uma causa nobre (pagar o bolsa família, o pronatec, a merenda escolar) e assim, vivemos uma onda onde se é lícito roubar – não há mais valores morais em nossa sociedade e especialmente na classe política atual, mas essa queda e quebra dos valores morais se vê na defesa específicas de alguns assuntos que são lemas e metas a serem alcanças nos planos de governo:
  1. Abordo: o infatícidio tem sido apoiado e defendido por partidos políticos em nosso país e que nós, como cristãos temos oferecido defesa deliberada quando votamos e apoiamos o plano de governo apresentado, ou mesmo, quando sabemos que nas coligações há partidos que tem esse projeto para a população. A Bíblia é claramente contra o Aborto em Êxodo 20.13. O mandamento de não matar é claro a este respeito.
  2. A promoção do Homossexualismo: Em nossos tempos atuais a laicidade do estado tem servido de base para rejeitar o cristianismo e juntamente com ele os valores morais judaico-cristão do mundo do ocidente. E se tem advogado a defesa do homossexualismo criando leis tais como a “homofobia” dizendo que devemos aceitar e até procurando impor à cultura gay na nossa sociedade, por exemplo, o quite gay que é um projeto educacional para as escolas do estado. O projeto é remover a noção da hetornomatividade e implanta a ideia de homoafetividade.
  3. A remoção da legítima defesa: Os partidos políticos (especialmente os de esquerda), baseados na falsa concepção, da relação entre Igreja e Estado, asseguram que apenas o estado pode proteger e tem o direito de proteger o cidadão. Então, removeu-se o direito de defesa do brasileiro, contra a vontade do mesmo, e hoje vivemos o caos da insegurança.
c. A desintegração Familiar:
A terceira trincheira da batalha cultural e política que como reformados temos travado, e que parece que estamos perdendo, é a desintegração familiar. Cada dia que passa vivemos e vemos a queda da família no cenário político de nosso país. Como vemos a família ser desintegrada?
1.      A criação da lei da palmada: Os pais são proibidos de disciplinar seus filhos
2.      A doutrinação na escola pública: Hoje vemos as nossas crianças sendo transformadas em defensoras do sistema socialista e comunista, eles são expostos a doutrinação marxista ensinadas a dependerem do estado cada vez mais (a criação da escola de tempo integral é um exemplo claro) hoje há mais a ideia de mais estado e menos família.
3.      A ideologia de gênero: Na prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) tivemos uma questão afirmando que ninguém nasce homem ou mulher.
É isso que encontramos no nosso dia-a-dia no cenário político de nosso País. O povo escolhe seus políticos sem considerar estas coisas; nós pensamos que o nosso voto (sem contar que as urnas eletrônicas são fraudadas) não significa nada. Entretanto, se nós olharmos os nossos candidatos pelos pressupostos que eles sustentam será que teríamos a coragem de votar neles?







[1] WARFIELD, Benjamin B. The Works of Benjamin B. Warfield, vol. 5, Grand Rapis: Baker,2003, p. 354.
[2] BIÉLER, André. A força Oculta dos Protestantes. São Paulo: Cultura Cristã, 1990, p.19.
[3] CALVINO, João. Institutas da Religião Cristã. [4.20.4] São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p.454.
[4] CALVINO, João. As Pastorais. São Paulo: Editora Fiel, 2002, p.346.
[5] CALVINO, João. Romanos. São Paulo: Editora Parakletos, 2001, p.460.
[7] CALVINO, João. Institutas da Religião Cristã. [4.20.31] São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p.480.
[8] CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER, São Paulo: Editora cultura Cristã. Capítulo 23.
[9] PEARCY, Nancy. A Verdade Absoluta: Rio de Janeiro, CPAD, P. 34
[10] PEARCY, Nancy. A Verdade Absoluta: Rio de Janeiro, CPAD, P. 25.

terça-feira, 31 de maio de 2016

NOSSA INIMIGA, A ESCOLA DO ESTADO

NOSSA INIMIGA, A ESCOLA DO ESTADO*
John Cobin, Ph.D.
Não conhecer o nosso inimigo é algo precário, para dizer o mínimo. Achamo-nos em grave perigo quando nosso inimigo se encontra estabelecido de forma incógnita em nosso meio. Nosso inimigo usa, de forma efetiva, artifícios para se disfarçar como algo inofensivo ou mesmo benigno em um dado momento no tempo. Contudo, o terrível pesadelo social que é gerado é algo que se pode avaliar a longo prazo. Porque teríamos que esperar logo menos sagaz das forças que conduzem a escravidão?
Qual instituição brasileira, acima das demais, que tem feito muito para minar a liberdade e moralidade em nossa sociedade? Alguém poderia pensar nos grupos de ativistas gay, os meios de comunicações mais influentes, os grupos feministas de ação, a indústria da pornografia, ou inclusive a própria Receita Federal ou o Banco Central com sua taxa de juros. No entanto, apesar de mau que são essas instituições, não há instituição que por si mesma tenha produzido tanto dano generalizado e de larga duração para a sociedade brasileira como a escola do estado. Tokugawa Ieyasu (1526-1549) do Japão disse uma vez, “para chegar a conhecer o teu inimigo, primeiro deves tornar-te seu amigo, e uma vez que tenhas chegado a ser seu amigo, todas as suas defesas caem. Em seguida podes escolher o método mais adequado para realizar o seu desejo”. E este é precisamente o meio pelo qual nosso inimigo tem uma mão de ferro sobre nossa sociedade – bem em baixo de nossos narizes. Por outro lado, o estrategista militar e filósofo Chino Sun-Tzu (500 a.C) disse, “se conheces teu inimigo e te e conheces a ti mesmo, não precisas temer o resultado de cem batalhas”(A Arte da Guerra). Tomemos o seu conselho e nos demos a tarefa de conhecer o nosso inimigo, a escola do estado.
Desde seu inicio, o projeto da escola estatal tem utilizado extraordinárias táticas de subterfúgios para tratar de ocultar sua verdadeira agenda. Sob a aparência de prover uma educação tradicional as crianças são condicionadas a aceitar ideias erradas. O gasto com educação “pública” tem alcançado níveis record, porém os resultados acadêmicos em áreas como a leitura, a escrita e a aritmética (matemática) são péssimos. Mas, tem fracassado a escola do governo? Como tem apontado com profundidade meu companheiro colunista do Times Examiner Ben Braydon em duas colunas recentes a escola do estado tem sido, de fato, incrivelmente bem-sucedida. O ponto da “educação pública” não é meramente dar-lhes aos estudantes as ferramentas e o conhecimento básico que realmente necessitam para ter sucesso na vida. É doutrinar as crianças nos caminhos que se opõe a Deus e a liberdade. E quanto a este fim tem sido maravilhosamente bem-sucedida. Como apontou o Dr. Steven Yates em sua coluna desta semana do Times Examiner, o objetivo principal de uma escola do governo é doutrinar as crianças com princípios estadistas. Contrário a visão dos Fundadores Americanos, os estudantes aprendem que o estado em seu caráter  de estado tem de ser reverenciado e apreciado. Devem aprender a lutar por ele e a respeitar e defender seu nobre fundamento. Os estudantes também são inundados com princípios do Darwianismo, estilos “alternativos” de vida, duvidosas ideologias ambientalistas, socialismo e humanismo secular. Biblicamente falando o Dr. Yates está correto ao dizer que os pais têm que possuir o domínio sobre a educação de seus filhos – não o estado – e que os pais pecam ao submeter seus filhos à educação “pública”. Da mesma forma, nas últimas duas colunas no Times Examiner, Alan Melton opina que alguns pais enviam seus filhos à escola pública com o propósito de que “socializem”. Porém, esta atividade tem sido um fracasso abismal ao extremo de que uns 85% das crianças que estudam na escola pública e que provem de famílias cristãs terminam abandonando a fé. (Além de televisão e filmes, onde mais obter mais ideias ruins para seus filhos?) Na verdade, que grande tragédia! E não é nada menos pecaminoso que está envolvido na escola pública.
Os inimigos da liberdade têm imposto espalhando e disseminando seu programa escolar governamental. Ainda que muitas famílias cristãs têm sido afligidas por ela, muita gente ainda (de maneira surpreendente) não vê a escola pública como uma amaça. Em vez disso, e vista como um campo “missionário”, um lugar seguro para conseguir emprego, útil para a socialização das crianças, e uma alternativa acessível de educação (incluindo vantagens adicionais como equipes de esportes). O apóstolo Paulo encarrega aos cristãos a tarefa de “derrubar argumento e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus” (2ª Coríntios 10.5). De modo que, é apropriado que os Cristãos devam estar derrubando a escola do estado. Contudo, continuam apoiando-a. Satanás está atacando a Igreja e a liberdade em geral, porém, muitos cristãos ignoram qual é seu inimigo ou onde ele se encontra. Cristo advertiu que “mas, enquanto dormiam os homens, veio seu inimigo e semeou o joio entre o trigo, e se foi” (Mateus 13.25). Assim acontece com o mal da escola do estado, que tem semeado justamente embaixo de nossos narizes, e que agora floresce junto conosco. Que fúnebres são as possiblidades para a liberdade quando os cristãos defendem a escola pública cujo caminho é tão claramente instável! Trabalham para sua própria predição sem dar-se conta disto. De fato, pode ser que alguns nem sequer tenham se dado conta onde se tem sido travada a verdadeira batalha até o Dia do Juízo e o programa da escola estatal encontre seu lugar de descanso final no lago de fogo.
É triste que aqueles que dizem a verdade acerca da natureza e as consequências do sistema escolar do governo (os “críticos”) geralmente chegam a se tornar leviano nos círculos evangélicos. São proibidos de serem personalidade de rádio ou apenas são confinados ao ostracismo pelos seus amigos como “extremistas”, causa-se dano à igreja e a causa da liberdade quando tais campeões da verdade são silenciados ou desprezados, que vergonha! O povo de Deus rejeitando os mensageiros que lhes são enviados é um tema recorrente na história. Que Deus nos ajude a conhecer nosso inimigo!
Copyright © Maio - 2016
3



* Tradutor: Rev. João Ricardo Ferreira de França. Ministro da Palavra e dos Sacramentos na Igreja Presbiteriana do Brasil. Atualmente é pastor na Igreja Presbiteriana de Riachão do Jacuípe – BA. Leia o artigo original:  

quarta-feira, 27 de abril de 2016

A EFICÁCIA DO BATISMO

III – A EFICÁCIA DO BATISMO.
Pr. João Ricardo Ferreira de França.
            Compete-nos tratar também deste tema que se relaciona com o Batismo Cristão que é o assunto da eficácia deste sacramento. Isto é importante porque na tradição romanista o sacramento do Batismo possui conotações regeneradoras, ou seja, para o catolicismo romano o batismo opera a salvação.
            Outra preocupação que nos faz ocupar deste assunto é fato de que na tradição evangélica-protestante há uma tendência ao rebatismo como padrão doutrinário ou mesmo como uma distinção entre os que seguem a doutrina ortodoxa e os que são heterodoxos ou até mesmo os que são tidos como heréticos.
3.1 – A Eficácia dos Sacramentos e a Confissão de Fé de Westminster:
            Qual é a validade dos sacramentos na vida cristã? Qualquer pessoa que ministrar os sacramentos deve ser aceito como válido? Geralmente a resposta que nós oferecemos a estas duas questões é que a validade do batismo e a sua eficácia depende de quem realizou o sacramento; entretanto a Confissão de Fé de Westmister apresenta uma resposta interessante:
III. A graça significada nos sacramentos ou por meio deles, quando devidamente usados, não é conferida por qualquer, poder neles existentes; nem a eficácia deles depende da piedade ou intenção de quem os administra, mas da obra do Espírito e da palavra da instituição, a qual, juntamente com o preceito que autoriza o uso deles, contém uma promessa de benefício aos que dignamente o recebem.[1]
            A declaração da Confissão de fé neste particular assegura que a validade dos sacramentos não é dependente da piedade (santidade) ou da intenção (pressuposto teológico) daquele que o administra. Isto se aplica aos dois sacramentos ordenados e estabelecidos pelo Senhor.

3.2 – A Validade e Eficácia do Batismo:

            A doutrina da comunhão dos santos é expressa no credo apostólico “Creio na Comunhão dos Santos” – geralmente se entende aqui uma comunhão mística e também a santa ceia como sendo a forma visível desta comunhão, pois, ela expressa a unidade da Igreja.
            Mas, quando estudamos a Carta de Paulo aos Efésios encontramos Paulo dizendo: “Há uma só fé, um só batismo” (Efésios 4.8). Será que a doutrina do sacramento do Batismo expressa exatamente a unidade? A unidade da fé expressa pelo Batismo tem deixado de ser analisado; e tem-se colocado para a Igreja uma postura de sermos negligente a este particular.
            Quando lemos esta expressão Paulina nos vem a mente a prática do rebatismo dentro da tradição evangélica-protestante. Está correto a prática do rebatismo? Quando presbiterianos, congregacionais, luteranos, anglicanos e reformados são recebidos em outras comunidades evangélicas são automaticamente constrangidos a rebatizar-se. Será que isso é válido?
            A Confissão de fé de Westminster quando toca nesta temática nos traz a lume uma resposta importante: “VII. O sacramento do batismo deve ser administrado uma só vez a uma mesma pessoa[2]
            A Confissão de Fé assegura-nos que o sacramento do Batismo deve ser administrado uma só vez sobre a mesma pessoa. Esta posição adotada é uma forma de combater os anabatistas que não aceitavam o pedobatismo[3]; bem como aqueles que julgavam o modo de batizar por aspersão errado e procuravam rebatizar por imersão. A Confissão de fé usa o texto de Tito 3.5 como fundamento para a sua posição.
            Mas, a grande questão é: Quanto aos que são oriundos do Catolicismo Romano, eles devem ser rebatizados? O tema em si mesmo é melindroso, polêmico e incômodo, pois, o presbiterianismo brasileiro é um dos poucos no mundo a rebatizar católicos quando estes se convertem ao protestantismo.

3.3 – Os Reformadores e a Validade do Batismo na tradição cristã:
            Devemos considerar a posição dos principais reformadores quanto a questão da validade do Batismo, como eles de fato encaravam o sacramento para entendermos a problemática a respeito deste polêmico assunto.
            Qual era a concepção dos primeiros reformadores a respeito da validade eficácia do Batismo como sacramento estabelecido por Cristo Jesus na Igreja? A sabedoria da igreja (ou ignorância como alguns poderão alegar) deve ser sempre ouvida quanto a este assunto, a catolicidade da Igreja reclama ser ouvida neste particular, inclusive na tradição Reformada.
3.3.1 – Martinho Lutero:

            Há muitos que asseguram que a validade do batismo está vinculado a quem administra: por exemplo, se for o batismo efetivado pelo pastor (evangélico ou protestante) este batismo deve ser aceito como válido, mas se for realizado por um sacerdote católico romano deve ser rejeitado.
Curioso é que este pensamento nunca esteve presente na mente dos primeiros reformadores, incluindo Matinho Lutero que afirma que o ser humano batiza e não batiza, então ele explica: “batiza, porque efetua a obra ao submergir o batizando. Não batiza, já que nesta obra não age por sua própria autoridade, mas representa Deus[...]” e ainda informa que “o batismo que recebemos por mãos de um ser humano, não é do ser humano, mas de Cristo e de Deus”.[4]
            A validade e eficácia do sacramento batismal não se vincula a intenção ou a pessoa quem o administra. Uma vez que este sacramento é outorgado por Deus à igreja por meio de um mandato divino, e o que o torna válido é invocação do Deus trino para isso, então, não demérito no sacramente por causa de quem o administra.
3.3.2 – Ulrich Zwínglio:
            Um dos reformadores pouco conhecido no Brasil chama-se Zwínglio ou Zuínglio foi reformador na cidade de Zurique na Suiça, ele sustentara que o batismo e a santa ceia não eram meios de graça, para ele estes sacramentos nada carregavam de redentivo.[5]. Para este reformador o sacramento do Batismo era símbolo da unidade, por isso, admite um só batismo.[6]   
3.3.3 – João Calvino:
            O reformador francês que residiu em Genebra e naquela cidade desenvolveu o ministério da Palavra. Elaborou uma teologia dos sacramentos que se faz presente em todas as confissões de fé reformadas incluindo os Padrões de Westminster (padrões doutrinários na Igreja Presbiteriana).
            Calvino segue a definição agostiniana para os sacramentos “uma forma visível de uma graça invisível”[7]O reformador de Genebra chama o sacramento do Batismo de uma “marca de nosso cristianismo” e do “sinal no qual somos recebidos na Igreja, para que enxertados em Cristo sejamos contados entre os filhos de Deus”.[8]
            Quanto ao tema da validade e eficácia do Batismo Calvino revela que tanto um quanto o outro não depende de quem celebra o sacramento, porque devemos receber o batismo como “se o recebêssemos das mãos do próprio Deus[...] pode-se deduzir daqui de que nem se tira, nem se acrescenta nada ao Sacramento a causa da dignidade de quem o administra [...] quando se envia uma carta não se importe quem seja o portador”.[9]
A tradição cristã Reformada nos deixa o legado de que o batismo tem a sua validade eficácia não por causa da intenção de quem administra. Isto também é assegurado na Confissão de Fé de Westmisnter quando trata dos sacramentos: “[...]; nem a eficácia deles depende da piedade ou intenção de quem os administra, mas da obra do Espírito e da palavra da instituição, a qual, juntamente com o preceito que autoriza o uso deles, contém uma promessa de benefício aos que dignamente o recebem. Ref. Rom. 2:28-29; I Ped. 3:21; Mat. 3:11; I Cor. 12:13; Luc. 22:19-20; I Cor. 11:26.”
O que nós aprendemos aqui sobre a validade e a eficácia do sacramento do Batismo? Que para “a validade do sacramento é essencial que seja ministrado ‘em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’”.[10] Ou seja, quando lemos Mateus 28.19 temos alí o designativo de Deus que dá sentido e validade ao Bastismo.



[1] Confissão de Fé Capítulo XVII seção IIII.
[2] Confissão de Fé Capítulo XVIII seção 7
[3] Pedobatismo = ao batismo dos filhos dos crentes recém-nascidos.
[4] LUTERO, Matinho.  Do Cativeiro Babilônico da Igreja In: Obras Selecionadas, Volume II, p. 379.
[5] TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão, 1998, p.237.
[6] Apud, KLEIN, Carlos Jeremias. Batismo e Rebatismo  nas mais Diversas Tradições Cristãs. São Paulo: fonte Editorial, 2010, p.43-44.
[7] CALVINO, Juan. Institución de la Religón Cristiana. Barcelona: Felire, 1999, p. 1007-1008
[8] Ibid, p. 1028.
[9] Ibid, p. 1037.                                   
[10] HODGE, A.A. Esboços de Teológia. Tradução: F.J.C.S - Lisboa. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas (PES), 2001, p.846

quarta-feira, 13 de abril de 2016

O Batismo Cristão e o Culto Reformado

O BATISMO CRISTÃO E O CULTO
Rev. João Ricardo Ferreira de França.

Introdução:
            O tema que o nosso estudo neste momento se ocupa é deveras importante para a vida do povo de Deus. O batismo cristão tem, ao longo dos anos, tomado uma variada significação nos demais grupos cristãos e de diversas confissões. O Batismo é o rito de ingresso na Igreja de Deus. E, por esta razão, as Igrejas cristãs o tem em alta consideração pelo seu valor sacramental. Mas, o que é o Batismo Cristão? A Confissão de Fé de Westminster no capítulo 28 seção 1 responde:
O Batismo é um sacramento do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo, não só para a admissão solene do batizado na Igreja visível, mas também para servir-lhe de sinal e selo do pacto da graça, de seu enxerto em Cristo; de sua regeneração, ou remissão de pecados e de sua total entrega a Deus através de Jesus Cristo, para andar em novidade de vida. Este sacramento, segundo a ordenação do próprio Cristo, há de continuar em sua Igreja até ao final do mundo.[1]
            Esta definição nos coloca a incumbência de tratarmos este assunto com uma profunda seriedade e reverência. O que aprendemos, a partir desta definição, sobre Batismo?
I – O BATISMO É UM SACRAMENTO.
            O Batismo Cristão não meramente um rito de iniciação na comunidade cristã. Na verdade o Batismo Cristão é um sacramento do Novo Testmamento.
1.1  – O que é um Sacramento?
 O Catecismo Maior responde:
Um sacramento é uma santa ordenança instituída por Cristo em sua Igreja, para significar, selar e conferir àqueles que estão no pacto da graça os benefícios da mediação de Cristo; para os fortalecer e lhes aumentar a fé e todas as mais graças, e os obrigar à obediência; para testemunhar e nutrir o seu amor e comunhão uns para com os outros, e para distingui-los dos que estão fora.[2]
      De forma sintética podemos dizer que eles são “sinais e selos do pacto da graça.”[3] Ou seja, “um sacramento ilustra ou simboliza as promessas de Deus”.[4] A palavra de Deus esta palavra sinal para descrever a intenção de chamar a atenção para alguma coisa conforme vemos no Evangelho de João 2.11.
      Devemos ainda ressaltar que os sacramentos tem como função selar as promessas de Deus. Indicando assim a aprovação de Deus. A linguagem do selo nas Escrituras apontam para o fato de aquilo que é sinalizado e selo é autêntico e indica nosso real interesse em Cristo (Romanos 4.11).
1.2  – Os Sacramentos são sinais e selos distintivos do Pacto da Graça.
Outra verdade que precisamos ressaltar é que os sacramentos são marcas distintivas administradas aos que abandonaram o mundo de pecado. Em outras palavras os sacramentos fazem uma “diferença visível entre os que pertencem à igreja e o restante do mundo”[5] (Romanos 15.7,8) desde o Antigo Testamento esta distinção era indicada pelos sacramentos instituídos pelo próprio Deus (Êxodo 12.48).
II – O MODO DO BATISMO
            O segundo tema que nos ocupa neste estudo é quanto ao modo do batismo. Qual é a forma correta de batizar alguém? Tem havido três formas de entendimento sobre este assunto: Imersão, Efusão e Aspersão. Os modos efusão e aspersão  são tomados um pelo outro, de sorte que, o mundo cristão, quanto a este particular, divide-se em dois grupos: Os imersionistas e os Aspersionistas.
2.1 –  O uso dos Termos relacionados ao Bastismo:
            Neste interesse particular devemos tratar do termo Batismo conforme é empregado nas Escrituras Sagradas. Os que defendem a Imersão como único modo válido de batizar alguém sustenta que o termo “Batizar” significa “imergir”, e que por tanto, deve ser o único modo aceitável para se praticar o Batismo Cristão.
            Os termos gregos Baptw, baptizw|/ e batismouj empregados na Bíblia não possuem sentido único e nem sempre significa submergir. Antes estes termos significam “derramar sobre, lavar, limpar, tingir, manchar”.[6]
2.2 – Evidências bíblicas do Uso dos Termos:
            Vejamos agora o que de fato ensina as Escrituras Sagradas no uso destes vocábulos, pois, apenas com a demonstração bíblica podemos estabelecer o uso do termo Batizar e saber se o termo significa exclusivamente imergir.
a)      Marcos 7.4.
PORTUGUÊS
GREGO
Quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem; e há muitas outras cousas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vazos de metal e camas
καὶ ἀπὸ ἀγορᾶς, ἐὰν μὴ βαπτίσωνται, οὐκ ἐσθίουσι· καὶ ἄλλα πολλά ἐστιν ἃ παρέλαβον κρατεῖν, βαπτισμοὺς ποτηρίων καὶ ξεστῶν καὶ χαλκίων καὶ κλινῶν·

Vemos aqui neste texto que a tese de que o vocábulo batismo (βαπτισμοὺς) não significa exclusivamente imergir. Pode-se observar que a palavra “aspergir” reproduz o vocábulo grego “βαπτίσωνται”- baptisontai – que é uma outra forma do verbo “batizar” no grego. E o termo “lavagem” de copos, jarros e camas é o vocábulo “βαπτισμοὺς” – baptismous. Como imergir camas de dormir?
b)      Lucas 11.38.
PORTUGUÊS
GREGO
O fariseu, porém, admirou-se ao ver que Jesus não se lavara primeiro, antes de comer
ὁ δὲ Φαρισαῖος ἰδὼν ἐθαύμασεν ὅτι οὐ πρῶτον ἐβαπτίσθη πρὸ τοῦ ἀρίστου.
c)      Hebreus 9.10
PORTUGUÊS
GREGO
sendo somente, no tocante a comidas, e bebidas, e várias abluções, umas ordenanças da carne, impostas até um tempo de reforma.
μόνον ἐπὶ βρώμασι καὶ πόμασι καὶ διαφόροις βαπτισμοῖς καὶ δικαιώματα σαρκὸς, μέχρι καιροῦ διορθώσεως ἐπικείμενα.
Neste texto aprendemos que os judeus receberam o Batismo como algo que lhes foi imposto, e que tal é variado. O termo abluções no grego é “βαπτισμοῖς” [batismois]. Diante dos textos que temos pode-se perceber que nenhum deles assegura a posição de que o vocábulo Batismo signifique exclusivamente imergir; mas, parece indicar outra direção quanto o sentido que o termo é usado nas Escrituras.
2.3 – A Confissão de Fé de Westminster e o Modo do Batismo:
            A tradição reformada preservada na Confissão de Fé de Westminster, padrão de doutrina da Igreja Presbiteriana, assevera o seguinte: “Não é necessário imergir o batizando na água; mas o Batismo é corretamente administrado aspergindo água sobre o batizando” (CFW, cap. 28, seção III – ênfase nossa).
            A nossa Confissão de Fé simplesmente ensina-nos que o “mandamento de batizar consiste em que se lave com água em nome da Trindade.”[7] Entretanto, a Confissão não silencia quanto a questão do modo assegurando que o modo correto é o aspergir a água. O uso do vocábulo batismo parece nos levar para esta posição, alguns textos das Escrituras nos ajudam a fundamentar esta posição, por exemplo, o texto de Atos 2.41 revela-nos a impossibilidade deste batismo ter sido realizado por imersão. Como imergir em um único dia mais três mil pessoas por imersão.
            Outro texto curioso é o caso do carcereiro de Filipos “Naquela mesma hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. A seguir, foi ele batizado, e todos os seus.” (Atos 16.33).
            Temos visto que se adotarmos a leitura de que o temo batismo significa exclusivamente imergir teremos dificuldades com a leitura de alguns textos das Escrituras onde o termo ocorre, e assim, estabelece-se que a Aspersão é o caso aplicado. Se ignoramos o ensino geral das Escrituras podemos acabar negligenciando o princípio Básico de que toda a prática cristã, em temos de ensino e vida, deve derivar das Escrituras sob três aspectos hermenêuticos importantes: 1. Um mandamento expresso; 2. Um exemplo bíblico-histórico; e 3. Uma inferência lógica. Então, ao defender um postulado teológico como a ideia de que o termo Batismo significa exclusivamente imergir deve seguir estes três passos hermenêuticos importantes.
  Vejamos:
Texto Português
Texto Grego
Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés.(1ª Co. 10.1,2)
1Co 10:1  Οὐ θέλω δὲ ὑμᾶς ἀγνοεῖν, ἀδελφοί, ὅτι οἱ πατέρες ἡμῶν πάντες ὑπὸ τὴν νεφέλην ἦσαν, καὶ πάντες διὰ τῆς θαλάσσης διῆλθον, καὶ πάντες εἰς τὸν Μωϋσῆν ἐβαπτίσαντο ἐν τῇ νεφέλῃ καὶ ἐν τῇ θαλάσσῃ,
            Ao lermos este texto podemos substituir o termo batizados por imergidos. “(...)tendo sido todos imergidos assim na nuvem como no mar (...)” – é possível ser imersos na nuvem? Ou ainda imersos em Moisés?
 Quanto ao modo de batizar alguém pelo ensino geral das Escrituras, podemos assegurar que é a aspersão a forma correta de fazê-lo. Ainda que a forma não esteja “claramente definida na Bíblia”[8]
2.4 – João Batista e a Imersão.
Os imersionistas agarram-se a João Batista dizendo que ele praticou a imersão. Será que João praticou a imersão no seu ministério? Alguns argumentam que ele batizou no Rio Jordão, ora se ele batizava em um rio, logo, ele batizava por imersão. Parece-nos uma conclusão lógica. Temos alguns problemas com essa argumentação:
1)      Quem era João Batista?
Todos nós sabemos que João era o primo de Cristo, e Filho de Isabel e Zacarias. Mas qual é era a função João? Jesus disse que João era Profeta. Por isso, Cristo disse que ele era o Elias prometido (Mateus 17:12-13) conforme profetizado por Malaquias 4.5: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR; , isto é fato descrito por Mateus 11.10-13. O que iria fazer o “Elias prometido”? Em Malaquias 3.1,3 diz que ele “purificará os filhos de Levi”, mas como era feita a purificação dos Filhos de Levi? Era por imersão ou aspersão? Veja o que diz Números 8.6-7. Então, João não poderia ser um imersionista.
2)      João como profeta não poderia introduzir um novo rito de purificação:
É público e notório que todos os ritos de purificação no V.T eram por aspersão, e todos os profetas praticaram a aspersão como rito de purificação, especialmente porque Moisés havia recebido a ordem de Deus para isso, logo, nenhum profeta poderia alterar o rito, como João, sendo um judeu levita, poderia introduzir tal rito estranho? Basta olharmos o primeiro capítulo do Evangelho de João 1.25 (evangelista) para vermos que isso era impossível.



[1] HODGE, A.A. A Confissão de Fé de Westminster Comentada. Tradução: Valter Graciano Martins. São Paulo: Editora os Puritanos, p.457.
[2] Catecismo Maior de Westminster  resposta à pergunta 162.
[3] Confissão de Fé de Westminster, Capítulo 27. Seção 1ª
[4] LUCAS, Sean Michael. O Cristão Presbiteriano – Convicções, Práticas e Histórias. Tradução: Elizabeth Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p.88.
[5] Confissão de Fé de Westminster, Capítulo 27. Seão 1ª.
[6] HODGE, Charles. O Batismo Cristão Imersão ou Aspersão? Tradução: Sabatini Lalli. São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p.9.
[7] HODGE, A.A. A Confissão de Fé de Westminster Comentada. Tradução: Valter Graciano Martins. São Paulo: Editora os Puritanos, p.460.
[8] NASCIMENTO, Adão Carlos; MATOS, Alderi Souza de. O que todo Presbiteriano Inteligente deve saber. P.165.