quinta-feira, 2 de julho de 2015

CURSO DE HEBRAICO

CURSO DE HEBRAICO

1.      DO CURSO:
Curso é uma introdução ao hebraico bíblico.
2.      DO VALOR:

O Centro de Estudos Presbiteriano oferece o curso por um valor muito baixo, apenas para cobrir custos de edição de vídeo e produção textual, o valor será de R$ 50,00 (cinqüenta por mês)
3.      DO PROCEDIMENTO PEDAGÓGICO:

a)      Serão enviadas para os e-mails dos alunos as aulas em vídeos
b)      Os vídeos são compartilhados por um link
c)      Fica vedada a circulação do vídeo sem a prévia autorização da coordenação do curso.
4.      DO MATERIAL DIDÁTICO:
a)      O Aluno receberá em seu e-mail materiais de apoio no aprendizado da língua.
b)      Receberá o texto hebraico no tanach / tanak*
c)      Receberá um léxico hebraico*

5.      DO PAGAMENTO:
O pagamento deverá ser feito  até o dia 10 de cada mês, recomenda-se os seguintes procedimentos:
a)      O pagamento sempre será pela forma de depósito na conta do professor do curso.
b)      O aluno (a) deverá enviar para o e-mail: centrodeestudospresbiteriano1@gmail.com o comprovante de depósito referente ao mês em curso com a mensagem DEPÓSITO REALIZADO / nome do mês em curso.
c)      Este procedimento é necessário para liberação e envio do vídeo e material de apoio das aulas.

6.      DAS AULAS:

a)      Será uma aula por semana (vídeo / presencial)
b)      As dúvidas que ficarem (para os alunos à distância) será sanado em um horário online com dia e hora definidos
c)      As dúvidas deveram ser apresentadas via e-mail para que haja um agendamento de horário e dia para sanar as dúvidas.

7.      DAS AVALIAÇÕES:

a)      Os exercícios deverão ser feitos em casa
b)      Os exercícios para pontuação deverão ser respondidos à mão, e enviados via scanner ou fotografia nítida via e-mail.
c)      A média das provas é 7.0.

8.      DA CERTIFICAÇÃO:

a)      Ressaltamos que o Centro de Estudos Presbiteriano não é um seminário e não emite diploma.
b)      Entretanto, como curso livre de treinamento de obreiro, oficiais e membros de igrejas cristãs pode emitir certificado.
c)      O certificado poderá ser emitido de duas formas:
1.      Via e-mail para que o aluno mesmo faça a sua impressão
2.      Via correios, neste caso o aluno cobrirá as despesas de envio.
3.      A validade do certificado depende da aceitação da instituição religiosa que assim o aceitar.

9.      DA MATRÍCULA:

a)      Para a matrícula no curso o aluno deve saber ler e escrever
b)      Deve ter o iniciado o ensino médio ou superior.
c)      Deve ser cristão/ protestante / evangélico.
d)     Deve solicitar a ficha de inscrição
e)      Depois de preenchida deve ser enviado ao CEP via e-mail
f)       Para efetivar a matricula deve solicitar o número da conta e fazer o depósito referente ao curso dentro do prazo já mencionado nos itens 2 e 5 deste comunicado.

Nos vínculos da Cruz,
Pr. João Ricardo Ferreira de França.
Presidente e Fundador do Centro de Estudos Presbiteriano
 




* Estes recursos serão enviados quando o professor julgar necessário a utilização do mesmo

sexta-feira, 24 de abril de 2015

A INTERPRETAÇÃO DO APOCALIPSE

A INTERPRETAÇÃO DO APOCALIPSE
Rev. David Chilton
Tradução: Rev. João Ricardo Ferreira de França.

            Logo de inicio, enfrentamos dois problemas quando tentamos estudar o Apocalipse. O primeiro é a questão de estarmos seguros de que a nossa interpretação é correta – colocando limites em nossa imaginação para não forçar a Santa Palavra de Deus a entrar em molde de nossa própria invenção. Devemos permitir que o livro de Apocalipse diga o que Deus pretendeu  dizer. O segundo problema é a questão da ética – que fazer com o que temos aprendido.
O modelo bíblico de interpretação.
            No próprio versículo primeiro de Apocalipse, João nos proporciona uma importante chave interpretativa: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João,” (Apocalipse 1.1 ARA). O uso do termo “Notificou [declarou]” nos fala que a profecia não deve ser considerada simplesmente como  “história escrita antecipadamente”. Em vez disso, Apocalipse é um livro de sinais: representações simbólicas dos acontecimentos vindouros. Os símbolos não deve m entender-se de maneira literal. Podemos ver isto no uso que João faz do termo em seu evangelho (veja-se João 12.33; 18.32;21.19). Em cada caso, está se usando no sentido de que Cristo significou um evento futuro mediante uma indicação mais ou menos simbólica, mas por meio de uma descrição clara e literal. E esta é geralmente as formadas das profecias em Apocalipse. Isto não significa que os símbolos sejam ininteligíveis e que a interpretação não esteja disponível. Por outro lado, não estou dizendo que os símbolos estão em alguma espécie de código, de modo que tudo o que necessitamos é um dicionário ou uma gramática de simbolismo para “traduzir” os símbolos para o idioma português. A profecia é profecia, não alegoria ingênua ou estática. A única maneira de entender seu simbolismo é familiarizando-se com a Bíblia. O modelo bíblico de interpretação é a própria Bíblia.
Já temos tomado nota das falácias e inconsistências involucradas na assim chamada escola “literalista” de interpretação bíblica. Outro problema, que é especialmente sério entre os teólogos “pop” é sua interpretação arbitrária dos símbolos proféticos.  Tenho ouvido pregadores falar dos escorpiões de Apocalipse 9.3-11 como que mostram umas desconcertantes variedades de horrores: Bombardeios, projéteis balísticos, helicópteros Cobra, e até as temidas “abelhas assassinas” da América do Sul. Qual destes representam os gafanhotos? Sem um modelo de interpretação, não há maneira objetiva alguma de sabê-lo – e assim, o livro de Apocalipse se torna, na prática, o que seu próprio título insiste que não é: uma mixórdia  ininteligível de fogo e vento “apocalípticos” que não significam nada.
Na realidade, João nos disse milhares de vezes durante todo o livro de Apocalipse exatamente o que é o modelo  de interpretação, porque o livro está positivamente abarrotado de citações do Antigo Testamento e alusões a ele. O livro de Apocalipse depende do Antigo Testamento muito mais que qualquer outro livro do Novo Testamento. Por si só, este fato deveria advertir-nos que não podemos começar a penetrar em seu significado sem uma sólida compreensão da Bíblia como um todo – esta é a razão para que eu tenha escrito a segunda parte deste livro, e por que estou repisando sobre o tema novamente. As igrejas primitivas possuíam essa classe de compreensão. O evangelho havia sido pregado primeiramente aos judeus e aos prosélitos gentios; frequentemente, as igrejas haviam sido formadas por adoradores em sinagogas, e isto ocorria até nas igrejas da Ásia Menor (Atos 2.9; 13.14; 14.1; 16.4; 17.1-4,10-12,17; 18.4,8,19,24-28; 19.1-10,17). Também, está clara em Gálatas 2.9 que o ministério do Apóstolo João era para os judeus em particular. Por conseguinte, os primeiros leitores do Apocaliçse estavam mergulhados no Antigo Testamento até um ponto em que a maioria de nós não o está hoje em dia. O simbolismo de Apocalipse está saturado de alusões bíblicas que eram comumente compreendidas pela igreja primitiva. Ainda que nas raras congregações que não tinham nenhum membro hebreu, as Escrituras usadas no ensino e no culto eram principalmente do Antigo Testamento. Os cristãos primitivos possuíam a chave autorizada e infalível para o significado das profecias de João. O que os modernos não apreciam este fato crucial é a causa principal de nossa incapacidade para entender do João está falando.
Por exemplo, consideremos um símbolo de Apocalipse, do qual se tem abusado muito, e apliquemos este princípio. Em Apocalipse 7,9,14 e 22, João vê o povo de Deus selados em suas fontes com seu nome; e em Apocalipse 13.16, João escreve sobre os adoradores da besta, que tem sua marca na mão direita e na fronte. (diga-se de passagem: não lhe parece estranho que todo mundo esteja tão excitado sobre ‘a marca da besta’ quando a clara ênfase em Apocalipse é sobre o selo de Deus nas fontes dos crentes?) Tem-se feito muitas e fantásticas interpretações  em relação a estas marcas – que vãos desde tatuagens e ingressos de parques de diversões até o código de barras da conta do cartão de crédito e o numero da Previdência Social – e tudo sem observar as mínimas alusões bíblicas mais claras. Mas o que haveriam pensado os primeiros leitores destas passagens? Os símbolos lhes haveriam feito pensar imediatamente nas várias referências bíblicas: a “marca” do suor na fronte de Adão, significando a maldição de Deus por sua desobediência (Gênesis 3.19); a fronte do sumo sacerdote, marcada com letras de ouro proclamando que agora era SANTO AO SENHOR (Êxodo 28.36); Deuteronômio 6.6-8 e Ezequiel 9.4-6, em que os servos de Deus são “marcados” na mão e na fronte com a lei de Deus, e recebem assim benção e proteção em nome de Deus. Por outro lado, os seguidores da besta recebem sua marca e propriedade: submetendo-se a lei ímpia, estadistas, anticristã. Em Apocalipse, a marca não deve ser tomada literalmente. É uma alusão a um símbolo do Antigo Testamento que falava da total obediência de um homem a Deus, e represente uma advertência de que o deus de uma sociedade – seja o Deus verdadeiro ou o estado deificado – exige completa obediência a seu domínio.
Este será o princípio de interpretação que se seguira neste livro. A Revelação[1] é uma revelação: o propósito é que se entenda. Contudo, não o entenderão os preguiçosos e os indisciplinados que buscam emoções, que tem tanta pressa que não possuem tempo para estudar a Bíblia. Muitos passam apressadamente desde sua primeira profissão de fé até o último livro da Bíblia, tratando-o como mais um livro de alucinações, desdenhando apressadamente de um sombrio intento de permitir que a Bíblia interprete a si mesma – descobrindo, no final das contas, só um reflexo de seus próprios preconceitos. Porém, para os que prestam atenção à Palavra de Deus como um todo, a mensagem é clara. Benjamin Warfield escreveu:
O Apocalipse de João não necessita ser outra coisa que fácil: todos os seus símbolos são ou naturalmente óbvios ou tem suas raízes nos poetas e profetas do Antigo Testamento e a linguagem figurada de Jesus e seus apóstolos. Ninguém que conheça sua Bíblia necessita se desesperar para ler este livro com proveito. Sobre tudo, o que pode entender o grande discurso de nosso Senhor concernente as últimas coisas (Mateus 24) não pode deixar de entender o apocalipse, que se baseia nesse discurso, e escassamente avança mais além do que ele[2]    
Profecia e ética.
            Também, o livro de Apocalipse é tratado como exemplo do gênero “apocalíptico” de escritos que floresceram entre os judeus entre o ano de 200 a.C e o ano 100 d.C. Não há nenhuma base em absoluto para esta opinião, e é completamente infeliz que a palavra apocalíptico seja usada para descrever esta literatura. (os mesmos escritores de literatura “apocalíptica” nunca usaram o termo neste sentido; também, os eruditos roubaram o termo de João, que chamou seu livro “o apocalipse [a revelação] de Jesus Cristo”). Na realidade, há muitas e grandes diferenças entre os escritos “apocalípticos” e o livro de Apocalipse.
            Os “apocalipsistas” se expressam em símbolos inexplicáveis e ininteligíveis, e geralmente não tinham nenhuma intenção de fazer-se entender. Seus escritos abundam em pessimismo: não é possível nenhum verdadeiro progresso, nem haverá nenhuma vitória para Deus e seu povo na história. Nem sequer podemos ver a Deus na história. Tudo o que sabemos é que o mundo está se tornando pior e pior. O melhor que podemos fazer é esperar o fim –  e pronto. Porém, por este momento, as forças do mal estão sob controle . (lhe soa familiar?). O resultado prático foi que os apocalipsistas rara vez se preocupavam com a conduta ética. Não lhes interessava muito como viver no presente (e na realidade assumir o domínio seria impensável); só queriam especular sobre os cataclismos futuros.
O enfoque de João no Apocalipse é vastamente diferente. Seus símbolos não são obscuras divagações incubadas em uma imaginação febril; estão firmemente enraizadas no Antigo Testamento ( e a razão de sua aparente obscuridade é isso mesmo: temos problemas para entendê-los simplesmente não conhecemos as nossas Bíblias). Em contrastes com os apocalipsistas, que haviam abandonado a história, João apresenta a história como o cenário da redenção: Deus salva a seu povo em seu ambiente, e fora dele; e Deus salva o ambiente.
Leon Morris, em seu importante estudo de Apocaliptica (Eerdmans, 1972), descreve a visão mundial de João: “ Para ele, a história é a esfera em que Deus tem forjado nossa redenção. O que realmente crítico na história da humanidade já tem seu lugar, e teve lugar aqui, nesta terra, nos assuntos dos homens. O cordeiro ‘como imolado’ domina o livro por completo. João vê a Cristo como vitorioso, e havendo obtido a vitória sobre a morte, um evento na história. Seu povo compartilha de seu triunfo, por tem derrotado a Satanás ‘pelo sangue do cordeiro e pela palavra de seu testemunho” (Apocalipse 12.11). Está ausente o pessimismo que difere da atividade salvadora de Deus até o fim. Ainda que João apresenta o mal realisticamente, seu livro é fundamentalmente otimista” (p.79).
Os apocalipsistas disseram: O mundo se aproxima de seu fim: rendam-se! Os profetas bíblicos disseram: O mundo se aproxima a seu princípio: Ponha-se a trabalhar!
Assim, pois, o livro de Apocalipse não é um tratado de apocalíptica; mas devidamente, é, como João mesmo nos lembra repetidamente, uma profecia (Apocalipse 1.3; 10.11; 22.7,10, 18-19), de acordo com os escritos de outros profetas bíblicos . E – novamente em profundo contraste com os apocalipsistas – se houve uma preocupação principal entre os profetas bíblicos, foi a conduta ética. Nenhum escritor bíblico jamais revelou o futuro só para satisfazer a curiosidade: o objetivo foi sempre dirigir ao povo de Deus sobre ações corretas no presente. A esmagadora maioria das profecias bíblicas não tinha nada haver com o errôneo conceito de que a “profecia” predizia o futuro. Os profetas falavam do futuro para estimular a vida piedosa. O propósito da profecia é ético.
O  fato de que muitos dos que estudam os escritos proféticos na atualidade estão mais interessados em encontrar possíveis referências a viagens espaciais e armas nucleares que em descobrir os mandamentos de Deus para a vida é um repugnante tributo à moderna apostasia. “O testemunho de Jesus é o espírito de profecia” (Apocalipse 19.10); ignorar a Jesus em favor de explosões atômicas é uma perversão da Escritura, uma extravagante distorção da Santa Palavra de Deus. Do princípio ao fim, João está intensamente interessado na conduta ética dos que lêem o livro do Apocalipse:
“Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo” (Apocalipse 1.3 ARA).
“Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes”(Apocalipse  16.15 ARA)
“Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro”. (Apocalipse 227 ARA).
“Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos,” (Apocalipse 22:14 ACF).
            Devo sublinhar que, ao argumentar a favor da escatologia do domínio,  não estou simplesmente apresentando um programa alternativo como guia para o futuro. A escatologia bíblica não é só um calendário de eventos especiais. O significado fundamental da esperança é o senhorio de Jesus Cristo. O objetivo da escatologia é levar as pessoas a adorar e servir ao seu Criador. A profecia nunca é meramente um exercício acadêmico. Todos os profetas apontavam para Jesus Cristo, e todos eles exigiam  uma resposta ética. A palavra de Deus exige uma total transformação de nossas vidas, em todo o momento. Se esse não é o objetivo, e o resultado, de nosso estudo da Escritura, não nos servirá de nada.




[1] NT – O Título do livro de Apocalipse deriva-se da primeira palavra que aparece cujo significado é Revelação.
[2] WARFIELD, Benjamin.  Selected  Shorter  Writings [Presbyterian and Reformed, 1973], vol. 2, pp. 652s

domingo, 29 de março de 2015

BREVE ENSAIO EXEGÉTICO NO NOVO TESTAMENTO: UM ESTUDO DE CASO EM 1ª João 2.12-14

BREVE ENSAIO EXEGÉTICO NO NOVO TESTAMENTO: UM ESTUDO DE CASO EM 1ª João 2.12-14
Rev. João Ricardo Ferreira de França*
Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados, por causa do seu nome.
 13 Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque tendes vencido o Maligno.
 14 Filhinhos, eu vos escrevi, porque conheceis o Pai. Pais, eu vos escrevi, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.
 Introdução:
            Sabemos que o apóstolo João escreve as suas cartas com a finalidade de rebater o gnosticismo incipiente promovido pelos falsos mestres[1] nas comunidades cristãs as quais ele escreve as suas cartas. No trecho de abertura desta cara (1.1-4) o autor procura mostrar, em termos gerais, que tenciona ressaltar a temática da encarnação do verbo.[2]
            Vale salientar que carta é marcada por dois objetivos específicos que precisam ser considerados antes de qualquer análise exegética: “O conteúdo desse escrito tem dois objetivos: o combate a heresias cristãs (2.18-27; 4.1-6) e a confirmação dos cristãos aos quais ele se dirige na verdadeira fé e na verdadeira vivência em face da ameaça pela heresia.”[3] Certamente este segundo objetivo permeia o bloco que será alvo de nossa análise exegética.
VS. 12:                                                
Γράφω ὑμῖν, τεκνία, ὅτι ἀφέωνται ὑμῖν αἱ ἁμαρτίαι διὰ τὸ ὄνομα αὐτοῦ.” – o verbo escrever aqui no nosso texto “Γράφω” aponta provavelmente para o documento em curso de sua escrita, o tempo presente usado no verbo parece reforçar essa ideia.
O vocábulo “τεκνία” indica crianças pequenas, aqui o sentido é figurado, e ainda inclui todas as classes de pessoas. John Stott sugere que o apóstolo esteja se referindo a três classes de pessoas “filhinhos, jovens e pais”[4] Stott parece ignorar que no primeiro verso João usa o mesmo termo e o sentido é a todos os crentes, pois, não se refere apenas aos novos convertidos, mas todos os crentes em Cristo.
Calvino indica que este termo grego abarca “uma declaração geral, para que ele não aborda apenas os de tenra idade , mas por crianças pequenas , ele quer dizer homens de todas as idades , como no primeiro verso , e também como nos versos posteriores.” Calvino assegura que diz isso porque as pessoas tomam a palavra Teknia como uma referência as crianças, quando a palavra seria παιδία, mas aqui o apóstolo usa o apalavra τεκνία para se referir tanto a jovens como a idosos, pois, ele se coloca como pai espiritual da igreja.[5]
João informa que escreve estas palavras “porque os vossos pecados estão perdoados”. O uso da conjunção “ὅτι ” aponta para o que ocasionou a escrita de tas palavras. A certeza do perdão dos pecados. O verbo “perdoar” conforme aparece aqui no texto “ἀφέωνται o uso do tempo perfeito indica uma ação contínua[6], vale ressaltar que o tempo perfeito “não é usado para indicar uma ação passada, mas o estado presente e resultante da ação passada”[7].
O Apóstolo escreve porque esses crentes foram perdoados no passado e continuam sendo perdoados, a implicação de uma ação passada, mas com resultados permanentes[8]. Ao que parece João deseja assegurar aos crentes a certeza de sua redenção apontando para a plena certeza do perdão dos pecados obtidos por Cristo na cruz do calvário.
O apóstolo continua agora nos apresentando a causa material para a certeza deste perdão dos pecados: “por causa do seu nome. (1Jo 2:12 ARA)”. A nossa versão traduzir a preposição “διὰ” com o sentido de “por causa de”. Na versão Corrigida o texto foi traduzido como segue: “Filhinhos, escrevo-vos porque, pelo seu nome, vos são perdoados os pecados”.( 1Jo 2.12 ARC) a explicação para esta distinção está na gramática grega. A preposição quando está governando um substantivo no caso genitivo ela terá o sentido “através de” e quando a mesma governa um substantivo no caso acusativo terá o sentido de “por causa de” – o substantivo “ὄνομα” está no caso acusativo. Então, por causa do nome de Cristo e seu sacrifício no calvário aqueles irmãos tem o segurança do perdão dos pecados.
Vs: 13 – “γράφω ὑμῖν, πατέρες, ὅτι ἐγνώκατε τὸν ἀπ᾽ ἀρχῆς. γράφω ὑμῖν, νεανίσκοι, ὅτι νενικήκατε τὸν πονηρόν.
            João se dirige aos pais que no verso anterior estavam incluídos na categoria de “filhinhos”, ele diz: “Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque tendes vencido o Maligno.  (1Jo 2:13 ARA)”. É necessário entender que João escreve deste modo para individualizar as idades presentes na igreja, ou como alguém já disse que o apóstolo passa a  “enumerar diferentes idades , para que pudesse mostrar que o que ele ensinou era adequado para cada um deles.”[9] Ou seja, João sai do campo geral e vai para o particular, se dirige aos pais com a finalidade de relembrar-lhe que eles conhecem aquele que existe pelo séculos dos séculos.
O verbo conhecer aqui “ἐγνώκατε está no tempo verbal que aponta para a continuidade dos resultados do conhecimento obtido sobre o verbo eterno. Os jovens são descritos como vitoriosos. Na verdade o que João tem dito é que o eles tem dominado o maligno, pois, no grego o verbo “νενικήκατε” tem o sentido de conquistar e não de meramente vencer, a ideia é que eles têm avançado sobre o maligno (πονηρόν). Parece-nos que a perspectiva de João é bem otimista!
Vs. 14:
ἔγραψα ὑμῖν, παιδία, ὅτι ἐγνώκατε τὸν πατέρα. ἔγραψα ὑμῖν, πατέρες, ὅτι ἐγνώκατε τὸν ἀπ᾽ ἀρχῆς. ἔγραψα ὑμῖν, νεανίσκοι, ὅτι ἰσχυροί ἐστε καὶ ὁ λόγος τοῦ θεοῦ ἐν ὑμῖν μένει καὶ νενικήκατε τὸν πονηρόν.
            Neste verso João começa com um aoristo epistolar “ἔγραψα” focalizando na mensagem da presente carta, e novamente se dirige aos filhos e usa a palavra “παιδία” que possuem alguma noção do que está sendo dito, de modo particular, ele diz que os mesmos conhecem “ἐγνώκατε” ao pai “πατέρες”.
            Qual é a razão de João escrever a eles? Porque eles são fortes (ἰσχυροί ἐστε), e a palavra de Deus permanece neles. A expressão “palavra de Deus ” [ὁ λόγος τοῦ θεου] revela-nos que o verbo de Deus é suficiente para garantir a fortaleza espiritual que os jovens precisam. Eles têm a certeza do perdão dos pecados em Cristo e plena fortaleza na fé por causa da Palavra de Deus que habita neles. E como esta palavra permanece a implicação é que eles têm como vencer o maligno.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1.      CALVINO, John. Commentaries on the Catholic Epistles, Grand Rapids, MI: Christian Classics Ethereal Library.
2.      CARSON, D.A.; MOO, Douglas. MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova, 1997.
3.      CHAMBERLAIN, William Douglas. Gramática Exegética do Grego Neo-Testamentário. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1989.
4.      KISTEMAER, Simon. Tiago e Epístolas de João – São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006.
5.      MARSHALL, I.HOWARD. Teologia do Novo Testamento – Diversos Testemunhos, Um só Evangelho. São Paulo: Edições Vida Nova, 2007.
6.      STOTT, John R. W. I, II e III João – Introdução e Comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 1982.
7.      VIELHAUER, Phlipp. História da Literatura Cristã Primitiva – Introdução ao Novo Testamento aos Apócrifos e aos Pais Apostólicos. Santo André, SP: Editora Academia Cristã, 2005.
8.      WALLACE, Daniel B. Gramática Grega – Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento. São Paulo: Editora Batista Regular do Brasil, 2009.







* O autor é Ministro da Palavra pela Igreja Presbiteriana do brasil. Formou-se em Teologia no Seminário Presbiteriano do Norte (SPN) Recife – PE. Foi professor de línguas bíblicas (Grego e Hebraico) no Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil (SPFB) – Recife – PE. Atualmente é pastor na Igreja Presbiteriana de Piripiri – PI.
[1] CARSON, D.A.; MOO, Douglas.; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova, 1997, p.501.
[2] MARSHALL, I.HOWARD. Teologia do Novo Testamento – Diversos Testemunhos, Um só Evangelho. São Paulo: Edições Vida Nova, 2007, p.460.
[3] VIELHAUER, Phlipp. História da Literatura Cristã Primitiva – Introdução ao Novo Testamento aos Apócrifos e aos Pais Apostólicos. Santo André, SP: Editora Academia Cristã, 2005, p. 489.
[4] STOTT, John R. W. I, II e III João – Introdução e Comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 1982, p.83.  Simon Kistemaker partilha da mesma ideia de Stott Cf. KISTEMAER, Simon. Tiago e Epístolas de João – São Paulo: Editora Cultura Cristã, p. 352-358.
[5] CALVINO, John. Commentaries on the Catholic Epistles , Grand Rapids, MI: Christian Classics Ethereal Library,p. 159
[6] STOTT, John R. W. I, II e III João – Introdução e Comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 1982, p.84.
[7] WALLACE, Daniel B. Gramática Grega – Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento. São Paulo: Editora Batista Regular do Brasil, 2009, p. 573.
[8] CHAMBERLAIN, William Douglas. Gramática Exegética do Grego Neo-Testamentário. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1989, p.98.
[9] CALVINO, John. Commentaries on the Catholic Epistles , Grand Rapids, MI: Christian Classics Ethereal Library,p. 160.

quarta-feira, 18 de março de 2015

OS SACRAMENTOS NA TRADIÇÃO LITÚRGICA REFORMADA.

 OS SACRAMENTOS NA TRADIÇÃO LITÚRGICA REFORMADA:

Rev. João Ricardo Ferreira de França.*

            A doutrina dos sacramentos da Igreja Presbiteriana está intimamente ligada à concepção calvinista destes mistérios da salvação. “A teologia sacramental do reformador João Calvino encontra-se principalmente nos capítulos XIV a XIX do livro IV da Instituição da Religião Cristã (Institutas) [...]”[1]. Essa tradição calvinista se faz presente nos símbolos de fé de Westminster que são padrões confessionais da Igreja Presbiteriana.
            O que é um sacramento? O Catecismo Maior responde:

Um sacramento é uma santa ordenança instituída por Cristo em sua Igreja, para significar, selar e conferir àqueles que estão no pacto da graça os benefícios da mediação de Cristo; para os fortalecer e lhes aumentar a fé e todas as mais graças, e os obrigar à obediência; para testemunhar e nutrir o seu amor e comunhão uns para com os outros, e para distingui-los dos que estão fora.[2]

1 – O BATISMO CRISTÃO:


            O sacramento do Batismo é fundamental na comunidade dos fiéis. Uma vez que ele apresenta a nova perspectiva da vida cristã; pois, este sacramento é “um sinal e selo de nos unir a si mesmo, da remissão de pecados pelo seu sangue e da regeneração pelo seu Espírito; da adoção e ressurreição para a vida eterna[3].
            a) Nossa União com Cristo apontada no Batismo:
            O nosso Catecismo tem a definição do batismo como um sinal e selo da aliança para indicar a nossa união com Cristo. Paulo nos ensina isso em Gálatas 3.27 – “porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.” – então, no ato do batismo em pleno culto público é uma declaração de Deus para conosco de que pertencemos a Cristo e estamos em íntima comunhão com ele.
            b) O Batismo é um sinal e selo das bênçãos salvadoras:
            Todas as bênçãos salvadoras que carecemos são assinaladas e apontadas como uma realidade no sacramento do batismo – ele aponta para tudo aquilo que Cristo fez tais como a remissão dos pecados (Atos 22.16; Marcos 1.4; Apocalipse 1.5); a regeneração produzida pelo Espírito Santo é simbolizada pelo derramar da água do batismo (João 3.5; Tito 3.5).

            c) O Batismo é o selo da admissão na igreja de Deus:
            O catecismo ainda nos diz que este sacramento serve para que os que são batizados sejam “solenemente admitidos à Igreja visível e entram em um comprometimento público, professando pertencer inteira e unicamente ao Senhor.” (Atos 2.41)
            e) Os Sujeitos do Batismo:
             O batismo cristão deve ser ministrado aos pais bem como aos filhos. O batismo doméstico deve ser praticado na Igreja de Cristo.  O que labora para a prática do batismo infantil é o testemunho claro das Escrituras sobre  a continuação da aliança (Colossenses 2.11-12); assim, como também a evidência bíblica de batismo de famílias inteiras nas Escrituras (Atos 16.15,33-34). “Deveríamos falar em ‘batismo familiar’ em vez de ‘batismo infantil’”[4]

 

2 – A EUCARISTIA.


            A prática litúrgica na igreja integra o conceito da celebração da eucaristia. O sacramento da Santa Ceia do Senhor, como é conhecido, “é o rito basilar de nossa fé”.[5] A Eucaristia é lembrada como a proclamação visível de Deus ao mundo de sua redenção.
            Mas, o que é a Eucaristia ou Ceia do Senhor? O Catecismo Maior de Westminster na pergunta 168 nos responde:
A Ceia do Senhor é um sacramento do Novo Testamento no qual, dando-se e recebendo-se pão e vinho, conforme a instituição de Jesus Cristo, é anunciada a sua morte; e os que dignamente participam dele, alimentam-se do corpo e do sangue de Cristo para sua nutrição espiritual e crescimento na graça; têm a sua união e comunhão com ele confirmadas; testemunham e renovam a sua gratidão e consagração a Deus e o seu mútuo amor uns para com os outros, como membros do mesmo corpo místico.

            É a refeição da aliança do povo de Deus (Mateus 26.26-28) apontando para o sofrimento de Cristo e a libertação de seu povo.
            a) As concepções eucarísticas sobre a presença real de Cristo:
1. Transubstanciação: A concepção da Igreja Romana de que o pão e o vinho se transformam no corpo de Cristo literalmente.
2. Consubstanciação: A concepção luterana de que Cristo está no pão e vinho, ou sob, ao lado junto com estes elementos.
3.Concepção Memorial: A concepção zuingliana de que a Santa Ceia é um mero memorial no qual não confere benção alguma.
4. A presença real, porém espiritual: É a posição presbiteriana de que Cristo está presente na eucaristia de forma real porém verdadeira e espiritualmente.
            b) A regularidade da Eucaristia no culto público: Quantas vezes devem ocorrer a Eucaristia na celebração pública? Convencionou-se nas nossas igrejas a celebrar a Ceia do Senhor uma vez por mês, geralmente, no primeiro domingo de cada mês. Muitos procuram justificar isso associando o rito pascal, que era celebrado uma vez por ano, como padrão para ser uma vez por mês. E, historicamente sabemos que Zwínglio reduziu a freqüência da celebração da Ceia do Senhor a quatro vezes por ano – e ainda desvinculou a celebração do dia do Senhor.[6]
            Mas, estudando os dados do Novo Testamento sabemos que a Ceia do Senhor era freqüente na vida litúrgica da igreja primitiva. Em Atos 2.42 nos mostra isso de forma muito clara. “A Ceia era, portanto, celebrada regularmente. Diz também a narrativa, como de passagem, que os irmãos de Trôade, no primeiro dia da semana, estavam ‘reunidos como o fim de partir o pão’ (Atos 20.7)”.[7]
            A vida da igreja era litúrgica e sacramental. É notório que estes textos sempre apresentam o vínculo conectivo entre o “dia do senhor” e o “partir do pão”; então, a celebração deve ser feita no domingo e deve ser regular. Na primeira carta de Paulo aos Coríntios ele mostra que a eucaristia era celebrada regularmente na vida da Igreja (1ª Coríntios 10.16; 11.23-31). No capítulo 11.20 o apóstolo mostrar que ao tratar do tema da profanação da refeição pactual ele mensura a ideia que eles normalmente se reúnem para aquilo. Ele usa o negativo “não é a Ceia do Senhor que comeis”, por causa, da prática pecaminosa deles que acabava por profanar o sacramento regularmente.
            No capítulo 11.24 o conceito de memória é introduzido por Paulo seguindo a tradição de Cristo em Lucas 22.19. A palavra grega “ἀνάμνησιν.” [anamnesin] Carrega o  conceito muito amplo é mais que mera lembrança. A ideia que o conceito encerra é de “tornar presente aquilo que recorda”.[8] Podemos dizer que se trata de uma recapitulação da história da redenção que nos fornece certeza da presença verdadeira de Cristo na celebração litúrgica.




































REFERÊNCIAS BIBLIGRÁFICAS:


1.       ALLMEN, J.J. Von. O Culto Cristão Teologia e Prática. Tradução: Dírson Glênio Vergara dos Santos. São Paulo: ASTE, 2006, p. 147.
2.       GIRAUDO, Cesare. Redescobrindo a Eucaristia. Tradução: Francisco Taborda.  São Paulo: Edições Loyola.
3.       KLEIN, Carlos Jeremias. Os Sacramentos na Tradição Reformada. São Paulo: Fonte Editorial, 2005.
4.       LUCAS, Sean Michael . O Cristão Presbiteriano – Convicções, Práticas e Histórias. Tradução: Elizabeth Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2011.
5.       MAZZAROLO, Isidoro. A Eucaristia: Memorial da Nova Aliança – Continuidade e Rupturas. São Paulo: Editora Paulus, 1999.




* O Autor é Ministro da  Palavra pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Estudou no Seminário Presbiteriano do Norte (SPN) em Recife – PE. Foi professor de línguas bíblicas (Hebraico e Grego) no Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil (SPFB) em Recife – PE. Atualmente é pastor na Primeira Igreja Presbiteriana de Piripiri – Piauí.(www.ipdepiripiri.blogspot.com.br )  É casado e tem um filho.
[1] KLEIN, Carlos Jeremias. Os Sacramentos na Tradição Reformada. São Paulo: Fonte Editorial, 2005, p.87-88.
[2] Catecismo Maior de Westminster  resposta à pergunta 162.
[3] Catecismo Maior de Westminster resposta à pergunta 165.
[4] LUCAS, Sean Michael . O Cristão Presbiteriano – Convicções, Práticas e Histórias. Tradução: Elizabeth Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p.83.
[5] GIRAUDO, Cesare. Redescobrindo a Eucaristia. Tradução: Francisco Taborda.  São Paulo: Edições Loyola, p.7.
[6] KLEIN, Carlos Jeremias. Os Sacramentos na Tradição Reformada. São Paulo: Fonte Editorial, 2005, p.86.
[7] ALLMEN, J.J. Von. O Culto Cristão Teologia e Prática. Tradução: Dírson Glênio Vergara dos Santos. São Paulo: ASTE, 2006, p. 147.

[8] MAZZAROLO, Isidoro. A Eucaristia: Memorial da Nova Aliança – Continuidade e Rupturas. São Paulo: Editora Paulus, 1999, p.89.