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O MONTE SANTO NA ESCATOLOGIA RESTAURACIONISTA


O MONTE SANTO
por: Rev. David Chilton
Tradução: Rev. João Ricardo Ferreira de França.
Portanto, quando os servos dos sumos sacerdotes e os escribas viram estas coisas, e ouviram Jesus dizer: “se alguém tem sede, venha a mim e beba” [João 7.37b], perceberam que este não era um simples homem como eles mesmos, mas que este era Aquele que dava água aos santos, e que era o que foi anunciado pelo profeta Isaías. Porque ele era certamente o esplendor da luz, e a palavra de Deus. E assim, como um rio, era também a fonte do paraíso; porém agora dá o mesmo dom do Espírito a todos os homens, e diz: “se alguém tem sede, venha a mim e beba. O que crer em mim, como diz a Escritura, de seu interior correrão rios de água viva” [João 7.37-38]. Isto não o dizia um homem, mas o Deus vivente, que certamente outorga a vida, e dá o Espírito Santo.
Atanásio, Letters [XLIV]
O Monte Santo: A Localização do Jardim.
            Ainda que usamos os termos Éden e jardim do Éden como sinônimos (como as vezes a Bíblia faz também), Gênesis 2.8 nos diz que o jardim foi plantado por Deus ao oriente da área conhecida como Éden – uma terra que originalmente estava situada ao norte da Palestina (consultar Salmos 48.2; Isaías 14.13; Ezequiel 28.14; e a discussão sobre os rios, mas abaixo). Quando o homem perdeu a comunhão com Deus e foi expulso do jardim, evidentemente saiu do lado oriental, poste o que havia sido ali onde Deus havia colocado os querubins guardavam o jardim contra intrusos (Gênesis 3.24). Isto levanta uma pergunta interessante: Por que foram colocados querubins somente do lado oriental? Um resposta provável é que o jardim era inacessível de todos os outros lados (consultar Cantares de Salomão 4.12), e que a entrada tinha que ser a “porta” oriental (isto concordaria com o significado da antiga palavra paradise, que significava um jardim fechado); no poema de Milton, o diabo entrou no jardim pulando o muro (consultar João 10.1):
Assim pulou o muro este primeiro grande ladrão do redil de Deus: Assim pulam  para a igreja seus obscuros capangas. [4.192-93]
            Aparentemente os piedosos tendiam a permanecer próximos da entrada oriental do jardim por algum tempo – talvez levando seus sacrifícios até a “porta” – porque quando Caim fugiu da “presença do SENHOR” (um termo técnico na Escritura para o centro oficial do culto), se dirigiu as partes mais distantes do oriente (Gênesis 4.16); longe de Deus e dos homens piedosos.
            Por isso, é significativo que a entrada ao tabernáculo estivesse no lado oriental (Êxodo 27.13-16): entrar na presença por meio da redenção é uma readmissão ao Éden por graça. A visão de Ezequiel do triunfo universal do evangelho mostra o curador rio da vida fluindo desde as portas do templo restaurado (a igreja, Efésios 2.19-22) até o oriente (Ezequiel 47.1-29); e, como percussor do dia em que a riqueza de todas as nações seja levada da casa de Deus (Isaías 60.4-16; Habacuque 2.6-9; Salmos 72.10-11; Apocalipse 21.24-26), o nascimento do Rei de reis foi honrado pelos sábios que trouxeram dons do oriente (Mateus 2.1-11).
            Uma chave principal para achar o local do jardim do Éden original é o fato de que os quatro grandes rios que regavam a terra se derivam somente do rio do Éden (Gênesis 2.10-14). O dilúvio alterou drasticamente a geografia do mundo, e também destes rios (Pisom e Giom) já não existem. Os outros dois rios são o Tigre (Hiddekel em hebraico) e o Eufrates, que agora não nascem da mesma fonte, como era desde então. Mas a Bíblia se nos diz onde estavam situados estes rios: o Pison corria pela da terra de Havilá [Arábia]; e o Giom corria através de Cuxe [Etiópia]; o Tigre corria através da Assíria; e o Eufrates fluía através da Síria e Babilônia (desde onde agora se encontra com o Tigre, como a 40 milhas sobre o Golfo Pérsico). Por conseguinte, a fonte comum deste rios era o norte da Palestina, e provavelmente o norte geográfico, na área da Armênia e o Mar Negro – que é, de modo interessante o lugar onde se iniciou a raça humana depois do dilúvio (Gênesis 8.4). Como fonte de água, o Éden era, pois, fonte de benção para o mundo, proporcionando a base para a vida, a saúde, e a prosperidade de todas as criaturas de Deus.
Por esta razão, a água se converte em um símbolo importante na Escritura a causa das bênçãos da salvação. O crente individual, a salvação é um poço de água que brota para vida eterna (João 4.14); porém, assim como o rio do Éden era alimentado por uma multidão de mananciais (Gênesis 2.6 – NVI), a água da vida se converte em um rio de água viva, que flui da igreja pra o mundo (João 7.37-39; Ezequiel 47.1-12; Zacarias 14.8) curando e restaurando toda a terra, de modo que até as terras desérticas são transformadas em um jardim (Isaías 32.13-17; 35.1-2). Assim como o Espírito é derramado, “Jacó lançará raízes, Israel florescerá e lançará renovos, e encherá de fruto a face do mundo” (Isaías 27.6)
Finalmente, um aspecto muito importante da localização do Éden é que estava sobre um monte (O Éden mesmo era provavelmente um planalto em cima de um monte). Isto se deduz do fato de que o Manancial de água para o mundo estava no Éden: O rio simplesmente caía do monte em forma de cascata, que se dividia em quatro braços ao correr. Também quando Deus fala do rei de Tiro (referindo-se a ele como se fosse Adão, em termos do chamado original do homem) disse: “No Éden, no jardim de Deus estiveste ...Eu te pus no santo monte de Deus” (Ezequiel 28.13-14).
Que Éden era originalmente “o monte santo” explica a importância de haver Deus escolhido montes como locais para seus atos e suas revelações de redenção. A expiação substitutiva em lugar da semente de Abraão teve lugar no monte Moriá (Gênesis 22.2). Foi também no monte Moriá onde Davi viu o Anjo do Senhor de pé, espada na mão, pronto para destruir a Jerusalém, até que Davi construiu um altar ali e fez expiação por meio de um sacrifício ( 1º Crônicas 21.15-17). E, sobre o monte Moriá, Salomão construiu o templo ( 2º Crônicas 3.1). A revelação por graça de Deus de sua presença, seu pacto e sua lei teve lugar no monte Sinai. Assim como Adão e Eva se lhes havia impedido de entrar no jardim, ao povo de Israel se lhe proibiu aproximar-se do monte santo sob a pena de morte (Êxodo 19.12; consultar Gênesis 3.24). Porém, a Moisés (o mediador do antigo pacto, Gálatas 3.19), aos sacerdotes, e aos 70 anciões do povo se lhes permitiu encontrar-se com Deus no monte (depois de fazer sacrifício de expiação), e ali comeram e beberam a comunhão na presença do Senhor (Êxodo 24.1-11). Foi sobre o monte Carmelo onde Deus trouxe o povo desgarrado de volta para si mesmo por meio de sacrifício  nos dias de Elias, e onde os intrusos ímpios em seu jardim foram levados prisioneiros e destruídos ( 1º Reis 18; é interessante que  carmel é uma palavra hebraica para jardim, plantação, e horto). Novamente, sobre o monte Sinai (também chamado de Horebe), Deus revelou a Elias sua presença salvadora, e lhe comissionou novamente como seu mensageiro para as nações (1º Reis 19).
Em seu primeiro grande sermão, o Mediador do novo pacto apresentou a lei novamente, apartir de um monte (Mateus 5.1ss). Sua designação oficial dos apóstolos se fez em um monte (Marcos 3.13-19). Em um monte, Ele se transfigurou na presença de seus discípulos em uma reluzente revelação de seu glória (lembrando associações com o Sinai, Pedro chama a isto “o monte santo” em 2ª Pedro 1.16-18). Sobre um monte, Jesus fez o anúncio final do juízo contra o infiel povo do pacto (Mateus 24). Depois da última ceia, Jesus subiu em monte com seus discípulos, e dali seguiu para o jardim onde, como o primeiro Adão, prevaleceu sobre a tentação (Mateus 26.30;  consultar 4.8-11, ao começo de seu ministério). Finalmente, ordenou a seus discípulos encontrar-se com ele em um monte, de onde lhes comissionou para que conquistasse as nações com o evangelho, e lhes prometeu enviar-lhes o Espírito Santo; dali, ascendeu na nuvem aos céus (Mateus 28.16-20; Atos 1.1-19; para ler mais sobre a importância desta nuvem, veja o capítulo 7 deste livro)
De modo algum tenho esgotado a lista que poderia se fazer várias referências às atividades redentoras de Deus nos montes; porém, as que se tem citado são suficientes para demonstrar que o fato de que, na redenção, Deus nos chama a retornarão Éden: temos acesso ao santo monte de Deus por meio do sangue derramado de Cristo. Temos vindo ao monte de Sião (Hebreus 12.22), e podemos nos aproximar livremente deste Lugar Santo (Hebreus 10.19), se nos permite, pela graça de Deus, participar novamente da árvore da vida (Apocalipse 2.7). Cristo tem construído sua igreja como uma cidade sobre um monte, para dar luz ao mundo (Mateus 5.14), e tem prometido que as nações chegarão a ver essa luz (Isaías 60.3). Os profetas estão cheios destas imagens de montanhas, dando testemunho de que o mundo mesmo será transformado em Éden: “Acontecerá no findar dos tempos que o monte da casa do SENHOR será assentado como cabeça dos montes, e será exaltado sobre as colinas, e virão a ele todas as nações” (Isaías2.2; consultar Isaías 2.2-4; 11.9; 25.6-9; 56.3-8; 65.25; Miquéias 4.1-4). Assim, virá o dia em que o reino de Deus, seu santo monte, “encherá toda a terra” (Veja-se Daniel 2.34-35,44-45), assim como o domínio original de Deus se cumpre no segundo Adão.


Os Minerais do Éden.
No rio Pisom, que nascia no Éden, fluía “ao redor de toda a terra de Havilá, onde existe ouro. E o ouro daquela terra é bom; ali há o bdélio e a pedra de ônix” (Gênesis 2.11-12). O propósito destes versículos é claramente relacionar em nossas mentes o jardim do Éden com pedras preciosas e minerais; e este ponto se enfatiza em outras referências bíblias que fala do Éden. A referência mais óbvia se encontra na declaração de Deus ao Adão caído (parte da qual foi citada mais acima): “No Éden, no jardim de Deus estiveste; de toda sorte de pedra preciosa era a tua veste; o sárdio, o topázio, o diamante, o berilo, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo, a esmeralda e o ouro...” (Ezequiel 28.13).
Na realidade, o solo parece ter estado bastante coberto com toda a classe de pedras preciosas cintilantes, segundo o próximo versículo: “no meio das pedras de fogo tu passeavas”. A abundância de joias é considerada aqui como uma benção: a comunhão com Deus no Éden  significava estar rodeado de beleza. Moisés nos diz que o ouro daquela terra era bom ( quer dizer, em seu estado natural; não estava mesclado com outros minerais). O fato de que o ouro deve ser extraído da terra por meio de métodos custosos é resultado da maldição, particularmente no juízo do dilúvio.
A pedra chamada ônix na Escritura possivelmente é idêntica a pedra atual do mesmo nome, porém não há exatidão sobre isto; e ainda existe menos certeza em relação a natureza do bdélio. Porém, ao estudar a história bíblica da salvação, aparecem algumas coisas muito interessantes acerca destas pedras. Quando Deus redimiu seu povo do Egito, ordenou ao sumo sacerdote que usasse vestiduras especiais. Nos ombros, o sumo sacerdote deveria levar duas pedras de ônix com o nome das 12 tribos escrito nelas; e Deus declara que estas pedras são “pedras memoriais” (Êxodo 25.7; 28.9-12). Um memorial de quê? A única menção do ônix antes do Êxodo ocorre em Gênesis 2.12 com referência ao Jardim do Éden! Deus queria que seu povo olhasse ao sumo sacerdote – que de muitas maneiras era símbolo do homem plenamente restaurado à imagem de Deus – e que assim lembrasse as bênçãos do jardim, quando o homem estava em comunhão com Deus. As pedras deveriam servir como lembretes para o povo de que, ao salvar-lhes, Deus estava restaurando o Éden.
Um exemplo ainda mais notável disto é no que se nos diz acerca da provisão do maná por parte de Deus. Em si mesmo, o maná era uma recordação do Éden, pois, enquanto o povo de Deus estava no deserto (a caminho da terra prometida da abundância), o alimento era abundante, tinha bom sabor, e era fácil de achar – como, claro que, havia sido no Éden. Porém, no caso de não terem captado a mensagem, Moisés lembrou que o maná tinha cor do bdélio (Números 11.7) – a única ocasião em que a palavra aparece aparte de sua menção original no livro de Gênesis! E, diga-se de passagem, isto nos diz a cor do bdélio, pois em outra parte (Êxodo 16.31) que o maná era da cor branca. Nas mensagem de nosso Senhor para a igreja em Apocalipse, se usam imagens edênicas várias vezes para descrever a natureza da salvação (Veja-se Apocalipse 2-3), e em uma ocasião, promete: “Ao que vencer, lhe darei do maná escondido, e uma pedra branca” (Apocalipse 2.17)
É merecedor de ser notada que estas declarações com relação ao ônix e o bdélio foram feitos a Israel que viaja pela terra de Havilá! Enquanto eles viajaram, eles poderiam observar os efeitos terríveis da maldição que tinha convertido esta terra bonita e muito irrigada em “um deserto devastado no qual o vento uivou " – enquanto eles, por graça, podiam desfrutar das bênçãos do jardim do Éden. Este tema da restauração do Éden era também evidente no uso abundante do oro no mobiliário do tabernáculo e no templo (Êxodo 25.1; 1º Reis 6), e nas vestimentas do sumo sacerdote (Êxodo 28). Os  privilégios do primeiro Adão, aos quais havia renunciado nos foram restaurados pelo segundo Adão, ao estarmos novamente na presença de Deus por meio de nosso Sumo Sacerdote.
Nas profecias do Messias vindouro e suas bênçãos, os profetas do Antigo Testamento se concentraram nesta imagem edênica de joalheiro, descrevendo a salvação em termos de como Deus adornaria a seu povo:
Eis que Eu te cimentarei com pedras de turquesa, e te fundarei sobre as safiras. Teus baluartes  farei de rubis, e tuas portas de turquesa  e toda a tua muralha de pedras preciosas.  (Isaías 54.11-12). A imensidão do mar se tornará a ti, e as riquezas das nações virão a ti. Grande caravana de camelos  te cobrirá; os dromedários de Midiã e Efa; todos virão de Sabá; trarão ouro incenso e proclamarão os louvores do SENHOR...Certamente, as ilhas me esperarão, e primeiramente os navios de Társis, para trazer seus filhos de longe, sua prata e seu ouro com eles, pelo nome do SENHOR, teu Deus, e pelo Santo de Israel, que te glorificou. [...] Tuas portas estarão sempre abertas; não se fecharão nem de dia nem de noite, para que as riquezas das nações sejam trazidas para ti, e conduzidos a ti seus reis. (Isaías 60.5-6; 9,11).
 Em consonância com este tema, a Bíblia descreve-nos (Malaquias 3.17) e a nossa obra para o reino de Deus (1ª Coríntios 3.11-15) em termos de joalheria; e , ao final da história, ta a cidade de Deus é  desdobramento deslumbrante e brilhante de pedras preciosas (Apocalipse 21.18-20).
Assim, pois, a história do paraíso nos proporciona informações importantes sobre a origem e o significado dos metais preciosos e as pedras preciosas e, em consequência, do dinheiro também. Desde o principio, Deus atribuiu valor ao ouro e as joias, havendo-as criado como reflexos de sua própria glória e beleza. Por conseguinte, o valor original dos metais preciosos e as pedras preciosas era estético, e não econômico; sua importância econômica nasceu do fato de que eram apreciados por sua beleza. A estética vem primeiro que a economia.
Historicamente, o ouro vem a servir como um meio de intercâmbio precisamente porque seu valor era independente de, e anterior a, sua função monetária. O ouro não é intrinsecamente valioso (somente Deus possui valor intrínseco); em vez disso, o ouro é valioso porque o homem, como imagem de Deus, lhe atribuí valor. Biblicamente, um meio de intercâmbio é primeiramente  mercadoria, um artigo que os homens avaliam como tal. A Escritura sempre mede o dinheiro por peso, na moeda corrente (Levítico 19.35-37) e condena todas as formas de inflação como degradação da moeda (Provérbios 11.1; 20.10,23; Isaías 1.22; Amós 8.5-6; Miquéias 6.10-12).
Deus tem dado valor aos metais preciosos e as pedras preciosas, e tem criado em nós uma atração por elas; porém, também tem deixado bem claro que estas coisas não pode-se possuir ou desfrutar-se aparte da comunhão com Ele. Aos ímpios é permitido extrair estes metais da terra, e possuí-los por um tempo, para que sua riqueza possa ser finalmente a possessão do restaurado povo de Deus.
Ainda que [o ímpio] junto prata como o pó e prepare roupas como lama; ele haverá preparado, mas o justo se vestirá (Jó.27.16-17).
Ao pecador dá o trabalho de recolher e juntar, para dá-lo ao que agrada a Deus (Eclesiastes 2.26).
Quem aumenta suas riquezas com usura e com juros, para outro que se compadecerá dos pobres as aumenta. (Provérbios 28.8)
            Na realidade, há um princípio básico que sempre está em operação através da história: “A riqueza do pecador está guarda pra o justo” (Provérbios 13.22), “porque os malfeitores serão destruídos, mas os que esperam no SENHOR herdarão a terra.” (Salmos 37.9). Uma nação temente a Deus será abençoada com abundância, enquanto que as nações apóstatas á seu tempo perderão seus recursos, ao pronunciar Deus a maldição sobre os povos rebeldes e sua cultura. 

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