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A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO PARTE 1


Estudos na Confissão de Fé de Westminster.
Professor Rev. João Ricardo Ferreira de França.
DA JUSTIFICAÇÃO. – CAPÍTULO 11.1
Introdução: Em nossos dias a doutrina da tornou-se algo irrelevante. Parece que ouvimos os mesmos lemas do passado. “Nenhum credo, somente Cristo”. Alguns crentes chegam a dizer: “Não precisamos viver, por nenhum dogma! Abaixo os dogmas, e chega das doutrinas! Uma rejeição total das Doutrinas, dos dogmas da Igreja. Esta é uma das explicações porque a igreja cristã é tão superficial em levar o evangelho aos perdidos. A igreja tem abandonado a própria fé.
          Isso nos faz lembrar as palavras de Gordon H. Clarck ao dizer que “alguns [dos jovens] dormem durante o sermão. Entre eles há os que repudiam a teologia [...] outro seguimento diz: ‘Nenhum credo, mas Cristo’”.[1] Precisamos entender que o Cristianismo é marcado por doutrinas.
          Hoje nós iniciaremos os nossos estudos nesta grandiosa doutrina que é a justificação pela fé somente. Doutrina que estando presente na vida da Igreja a torna de Pé, mas que quando ausente a igreja cai. Vejamos o que a Confissão de Fé diz sobre a Justificação:
I. Os que Deus chama eficazmente, também livremente justifica. Esta justificação não consiste em Deus infundir neles a justiça, mas em perdoar os seus pecados e em considerar e aceitar as suas pessoas como justas. Deus não os justifica em razão de qualquer coisa neles operada ou por eles feita, mas somente em consideração da obra de Cristo; não lhes imputando como justiça a própria fé, o ato de crer ou qualquer outro ato de obediência evangélica, mas imputando-lhes a obediência e a satisfação de Cristo, quando eles o recebem e se firmam nele pela fé, que não têm de si mesmos, mas que é dom de Deus.[2]
I – A JUSTIFICAÇÃO COMO ATO DA LIVRE GRAÇA DE DEUS.
          O Catecismo Maior de Westminster define-nos a doutrina da Justificação como “um ato da livre graça de Deus” – a observar esta definição que vemos em nossa Confissão de Fé percebemos que esta doutrina fala de algo que ocorreu fora de nós. isso é ressaltado na Palavra de Deus em Romanos 3.22-25. Este ato da graça de Deus envolve todas as pessoas da Santíssima Trindade. Vejamos:
1.1 – É idealizada pelo Pai: Como um ato da livre graça de Deus o pai planeja como a justificação será realizada.  Ela se mostra ser um ato livre desta graça divina pelo fato de Deus o Pai ter aceito “a satisfação  de um fiador”[3] sendo Cristo “ o único Filho de Deus, Pai” nos foi dado gratuitamente como nosso redentor conforme vemos em João 3.16 – o Filho é doado pelo Pai aos pecadores. Exatamente isso aprendemos em Efésios 2.6-9.
1.2 É Possibilitada pela obra de Cristo: a Justificação somente é possível por causa da obra de Cristo no calvário; o sacrifício de Cristo naquela cruz torna esta verdade uma possibilidade singular (Romanos 3.24; 4.24,25)
1.3  - A justificação é efetivada na vida cristã pela ação do Espírito Santo: A palavra de Deus nos ensina que apenas o Espírito Santo pode de forma clara e evidente aplicar a obra da redenção no coração do eleito de Deus. (Romanos 5.5; Tt. 3.4-7).


II – A JUSTIFICAÇÃO É DESTINADA AQUELES QUE FORAM CHAMADOS EFICAZMENTE.
          A Confissão de Fé declara que somente o que são chamados somente estes Deus “livremente os justifica”. É exatamente isso que aprendemos na Palavra de Deus em Romanos 8.30. Deus ele chama e justiça os pecadores eleitos por Ele. Ora, como é lógico. Vimos na vocação eficaz que somente os eleitos podem ser regenerados isso implica que estes eleitos hão de ser declarados não culpados diante de Deus ( o que chamamos de justificação ).
          Somente aqueles que foram alvos do chamado interno, produzido pelo Espírito Santo, podem ser declarados justos. Isso porque somente os regenerados estão em paz com Deus e nenhuma condenação pesa contra eles (Romanos 5.1; 8.1)
III – OS DOIS ASPECTOS DA JUSTIFICAÇÃO.
          Ao estudarmos este assunto precisamos esclarecer o duplo aspecto desta doutrina. O aspecto negativo e o positivo.
3.1 – O Aspecto Negativo da Justificação: Necessitamos compreender o que a justificação não é. A Confissão de Fé nos diz que a esta doutrina não consiste “em Deus infundir neles a justiça”. Isso significa que na justificação que Deus não nos torna perfeitos ou sem pecados, ou seja, não é uma justificação infusa ( 1Co.5.19-21).
3.2 – O Aspecto Positivo da Justificação: Este ponto implica no fato do que realmente consiste a justificação:
a) “em perdoar os pecados dos eleitos”: é na declaração divina de não culpado que o homem vive o pleno perdão dos pecados. (Efésios 1.7)
b) “em aceitá-los como justas diante dele”: todos os eleitos são pecadores e culpados, mas diante do ato da justificação o homem eleito pode ser aceito diante de Deus como justo, na verdade, Deus os aceitas como se nunca tivessem feito crime algum contra a sua santidade. Deus passa a ser a justiça do eleito (Jeremias 23.6; 1 Co.10.30).
IV– A JUSTIFICAÇÃO NÃO DEPENDE DO ESFORÇO HUMANO.
          Os teólogos de Westminster declaram que “Deus não os justifica em razão de qualquer coisa neles operada ou por eles feita” – em nosso tempo as pessoas sustentam o fato de que a justificação dependente do esforço individual para serem aceitos diante de Deus. Todavia, a Palavra de Deus nos ensina que este ato de Deus não é fruto das boas obras que praticamos (Tt.3.5-7).
V – A JUSTIFICAÇÃO É A IMPUTAÇÃO DA SATISFAÇÃO DA OBRA DE CRISTO NA VIDA DO ELEITO.
          Justificação implica na imputação da obra de Cristo na vida dos eleitos. Os pecadores somente são aceitos diante de Deus tendo em consideração a obra vicária de Cristo.
          E somente a imputação da justiça de Cristo na vida dos eleitos; a imputação significar “lançar na conta do outro”, ou seja, a nossa conta estava lotada de dívida, não tínhamos como pagar, como sanar  a nossa divida com Deus; Mas Cristo mediante a morte de Crist no calvário, aquela justiça conquistada por Cristo por meio de sua obediência à Lei, é a nós conferida.
          Isso tudo é fruto da graça livre de Deus. E por causa disso Cristo nos é apresentado como a nossa vida (Fp.1.20-21)






[1] CLARCK, Gordon H. Em Defesa da Teologia. Tradução: Marcos Vasconcelos. Brasília: Editora Monergismo, 2010,  p. 18.
[2] Ref. Rom. 8:30 e 3:24, 27-28; II Cor. 5:19, 21; Tito 3:5-7; Ef. 1:7; Jer. 23:6; João 1:12 e 6:44-45; At. 10:43-44; Fil. 1:20; Ef. 2:8.
[3] Catecismo Maior de Westminster  resposta à pergunta 71.

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