quarta-feira, 5 de março de 2014

A GRANDE TRIBULAÇÃO

A GRANDE TRIBULAÇÃO
por: Rev. David Chilton
Tradução: Rev. João Ricardo Ferreira de França.

E quando Aquele que falou a Moisés, o Verbo do Pai, apareceu no fim do mundo, também deu mandamento, dizendo: Quando vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra”[Mateus 10.23]; e pouco depois disse:  Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda),  então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes; quem estiver sobre o eirado não desça a tirar de casa alguma coisa; e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa.” (Mateus 24.15-18 ARA). Sabendo estas coisas, os santos regulavam sua conduta em consequência.
Atanasio, Defence of His Flight [11]
            Um dos princípios mais elementares para interpretar corretamente a mensagem da Bíblia é que a Escritura interpreta a Escritura. A Bíblia é a Palavra de Deus, santa, infalível, livre de erro. É nossa maior autoridade. Isto significa que não podemos buscar uma interpretação autorizada do significado da Escritura fora dela mesma. Também significa que não devemos interpretar a Bíblia como se houvesse caído do céu no século vinte e um. O Novo Testamento foi escrito no primeiro século, e por isso devemos tratar de entendê-lo em termos de seus leitores do primeiro século. Por exemplo, quando João chama a Jesus “o cordeiro de Deus”, nem ele nem seus leitores tinham em mente nada, nem remotamente similar ao que o homem moderno da classe média, o homem que é um morador de rua, poderia pensar se ouvisse que alguém era chamado de “cordeiro”. João não queria dizer que Jesus era doce, carinhoso, ou agradável. Na realidade, João não se referia em absoluto à personalidade de Jesus. Ele queria dizer que Jesus era o Sacrifício sem pecado pelo mundo. Como sabemos isto? Porque a Bíblia assim nos diz.
            Este método que temos que usar para resolver cada um dos problemas de interpretação na Bíblia – incluindo as passagens proféticas. A saber, quando lemos uma passagem em Ezequiel, nossa primeira reação não deve ser olhar as páginas do New York Times [ou da Super Interessante – NT] em busca frenética de pistas acerca do significado da passagem. O periódico não interpreta a Escritura, em nenhum sentido primário. O periódico não deve dizer para nós quando se tem de cumprir certos eventos proféticos. A Escritura interpreta a Escritura.
Esta Geração.
            Em Mateus 24 (e Marcos 13 e Lucas 21), Jesus falou a seus discípulos acerca de uma “grande tribulação” que sobreviria a Jerusalém. Durante os 100 anos passados mais ou menos, se tem tornado moda ensinar que Jesus falava do fim da “era da igreja” e o tempo da segunda vinda. Porém, era isto que ele queria dizer? Devemos observar cuidadosamente que Jesus mesmo deu a data (aproximada) da vindoura tribulação, não deixando lugar algum para dúvidas depois de qualquer exame cuidadoso do texto bíblico. Jesus disse:
Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.” (Mateus 24.34 ARA)
            Isto significa que o tudo que Jesus falava nesta passagem, pelo menos até o versículo 34, teve lugar antes que passasse a geração na qual então vivia. “Espere um momento”, você diz. “Tudo? O testemunho a todas as nações, a tribulação, a vinda de Cristo nas nuvens, a queda das estrelas ...tudo?” Sim – e prontamente, este ponto é uma prova muito boa de seu compromisso com o princípio com o qual iniciamos este capítulo: a Escritura interpreta a Escritura – eu disse; e você acenou com cabeça e bocejou, pensando: “Claro eu sei de tudo isso. Vá ao ponto. Onde se encaixam as explosões atômicas e as abelhas assassinas?” O Senhor Jesus declarou que “esta geração” – as pessoas que vivia desde então – não passaria antes de que tiveram lugar as coisas que ele profetizava. A pergunta é: você crer nisso?
            Alguns tem tratado de solapar a força deste texto dizendo que aqui a palavra geração significa na realidade raça, e que Jesus estava dizendo simplesmente que a raça judia não morreria senão até que estas coisas tenham lugar. É verdade isso? Eu o desafio: tire sua concordância bíblica e busque cada um dos textos  do Novo Testamento em que aparece a palavra geração (genea[1], em grego) e veja se alguma vez significa “raça” em qualquer outro contexto. Eis aqui todas as referências nos evangelhos: Mateus 1.17; 11.16; 12.39,41,42,45; 16.4;17.17;23.36; 24.34; Marcos 8.12,38; 9..19; 13.30; Lucas 1.48,50; 7.31; 9.41; 1.29,30,32,50,51; 16.8; 17.25; 21.32. Nenhuma só destas referências fala da totalidade da raça judia por milhares de anos; todas usam a palavra em seu sentido normal da suma total dos que viviam ao mesmo tempo. Sempre se refere a contemporâneos (Na realidade, os que dizem que a palavra significa “raça” tendem a reconhecer este fato, porem explicam que a palavra muda de significado subitamente quando Jesus a usa em Mateus 24! Podemos sorrir diante deste erro transparente, porém também devemos recordar que isto é muito sério. Estamos tratando com a palavra do Deus vivente).
            Por conseguinte, a conclusão – antes que comecemos sequer a investigar a passagem em sua totalidade – é que os eventos profetizados em Mateus 24 tiveram lugar dentro da vida da geração que então vivia. Foi a esta geração a que Jesus chamou “má e perversa”(Mateus 12.39,45; 16.4; 17.17); foi esta “geração terminal” a que crucificou ao Senhor; e foi esta geração, disse Jesus, sobra a qual viria o castigo por “todo o sangue do justo derramado na terra” (Mateus 23.35).
Todas estas  coisas.
Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre a presente geração. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta.
(Mateus 23.36-38 ARA)
            A afirmação de Jesus em Mateus 23 prepara o cenário para seu ensino de Mateus 24. Jesus falou claramente de um juízo iminente sobre Israel por rejeitar a palavra de Deus, e pela apostasia final de rejeitar ao Filho de Deus. Os discípulos ficaram tão alterados por essa profecia de condenação sobre a presente geração e a “desolação” da “casa” judia (o templo) que, quando estiveram a sós com Jesus, não puderam evitar pedir uma explicação.
E, QUANDO Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo. Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada. E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?
 (Mateus 24:1-3[2] ACF)
            Novamente, devemos tomar nota cuidadosa de que Jesus não estava falando de algo que ocorreria milhares de anos mais tarde, a algum templo futuro. Estava profetizando sobre “tudo isto”, dizendo que “não ficará aqui pedra sobre pedara”. Isto se vê ainda mais claramente se consultarmos as passagens paralelas:

Marcos 13.1-2 [ARA]
Lucas 21.1-6 [ARA]
Ao sair Jesus do templo, disse-lhe um de seus discípulos: Mestre! Que pedras, que construções! Mas Jesus lhe disse: Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada.
Falavam alguns a respeito do templo, como estava ornado de belas pedras e de dádivas; então, disse Jesus: Vedes estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada.



            Por conseguinte, a única interpretação possível que o próprio Jesus permite de suas próprias palavras é que estava falando da destruição do templo, que nesse momento existia em Jerusalém, os mesmos edifícios que os discípulos contemplavam nesse momento da história. O templo do qual Jesus falava foi destruído na queda de Jerusalém sob os exércitos romanos no ano 70 d.C. Esta é a única interpretação possível da profecia de Jesus neste capítulo. A grande tribulação terminou com a destruição do templo no ano 70 d.C. Ainda que no caso (improvável) de que construa outro templo em algum momento no futuro, as palavras de Jesus em Mateus 24, Marcos 13, e Lucas 21 não tem nada a dizer a respeito dele. Jesus estava falando só do templo desta geração. Não há nenhuma base bíblica para afirmar que se trate de algum outro templo. Jesus confirmou os temores dos discípulos: O formoso templo de Jerusalém seria destruído dentro dessa geração; sua casa estaria desolada.
            Os discípulos entenderam o significado disto. Sabiam que a vinda de Cristo em Juízo para destruir o templo significaria a completa desolação de Israel como nação do pacto. Seria o sinal de que Deus se havia divorciado de Israel, removendo-o do meio, tirando-lhe o reino e dando-o a outra nação (Mateus 21.43). Seria o sinal do fim dessa época, e da chegada de uma era inteiramente nova na história mundial – a nova ordem mundial de Cristo Jesus. Desde o princípio da criação até o ano 70 d.C., o mundo manteve organizado ao redor de um santuário central, uma só casa de Deus. Agora, na ordem do novo pacato, se estabelecem santuários onde quer que exista um culto verdadeiro, onde se observam os sacramentos e se manifeste a presença especial de Cristo. Anteriormente em seu ministério, Jesus havia dito: “[...] a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. [...] Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade” (João 4.21-23 ARA). Agora Jesus estava deixando claro que a nova era estava a ponto de ser estabelecida permanentemente sobre as cinzas da antiga. Os discípulos perguntaram urgentemente: “Quando serão estas coisas, e que sinal haverá de tua vinda e do fim do século?”
            Alguns têm tentado ler isto como se fosse duas ou três perguntas separadas, de maneira que os discípulos estaria perguntando primeiro sobre a destruição do templo, e logo sobre os sinas do fim do mundo. Isto dificilmente parece crível. O contexto imediato ( o sermão recente de Jesus) tem a ver com a sorte daquela geração. Os discípulos, consternados, haviam apontado para as belezas do templo, como argumentando que um espetáculo tão magnífico não devia ficar em ruínas; acabavam de ser silenciados pela categórica declaração de Jesus de que não ficaria pedra sobre pedra. Não há nada em absoluto que indique que os discípulos mudaram do tema subitamente e perguntaram acerca do fim do universo material. (A tradução “fim do mundo”[3] na versão King James causa confusão, porque o significado da palavra inglesa world (mundo) tem mudado nos últimos séculos.Aqui a palavra grega não é cosmos, mas aion, que significa época ou era). Os discípulos tinham uma só preocupação, e suas perguntas giravam em torno a um só ponto: o fato de que sua própria geração presenciaria o fim da era pré-cristã e a chegada da nova era prometida pelos profetas. Tudo o que os discípulos queriam saber era quando chegaria e que sinais deviam esperar, para poder estar bem preparados.
Sinais do fim.
            Jesus respondeu dando aos discípulos, não um sinal, mas sete sinais do fim. (Devemos lembrar que “o fim” nesta passagem não é o fim do mundo, mas o fim da época, o fim do templo, do sistema de sacrifícios, da nação do pacto, Israel, e de dos últimos restos da era pré-cristã). É notável que há uma progressão nesta lista: os sinais aprecem volver-se mais especificas e pronunciadas até que chegamos a final e imediata precursora do fim. A lista começa com certos eventos que ocorreriam só como “princípios de dores” (Mateus 24.8). Jesus advertiu que, por si mesmos, os sinais não deviam ser tomados como sinais de um fim iminente; por isso, os discípulos deviam estar alerta para não ser confundidos sobre este ponto (v.4). Estes eventos “inicias”, que marcavam o período entre a ressurreição de Cristo e a destruição do templo no ano 70 d.C., eram como segue:
1. Falsos Messias:
“Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.” (vs.5)
2. Guerras:
“E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim.Porquanto se levantará nação contra nação”(vs. 6-7a).
3. Desastres naturais:
“... e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas essas coisas são o princípio das dores.” (vs. 7b-8).
            Qualquer destas ocorrências poderia haver feito que os cristãos sentissem que o fim estava sobre eles imediatamente, se Jesus não lhes houvesse advertido que tais eventos seriam somente tendências gerais quer caracterizariam a geração final, e não precisamente sinais do fim. Os dois sinais seguintes, ainda que todavia caracterizam o período em geral, sim nos levam até um ponto próximo do fim da época:
4. Perseguição:
“Então, vos hão de entregar para serdes atormentados e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome.” (vs.9)
5. Apostasia:
Nesse tempo, muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se aborrecerão.E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos se esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. (vs.10-13)
            Os últimos dois pontos da lista são muito mais específicos e identificáveis que os sinais anteriores. Estes seriam os sinais finais e definitivos do fim – um, o cumprimento de um processo, e o outro, um evento decisivo:
6. A evangelização mundial:
“E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim.” (vs.14).
            A primeira vista, isto parece incrível. Poderia o evangelho ter sido pregado em todo mundo dentro da geração em que se pronunciaram estas palavras? O testemunho da Escritura é claro. Não só poderia haver ocorrido, mas que de ocorreu realmente. Prova? Alguns anos antes da destruição de Jerusalém,  Paulo escreveu aos cristãos de Colossos acerca da “palavra da verdade do evangelho, que chegou até vós; como também, em todo o mundo, está produzindo fruto e crescendo” (Colossenses 1.5-6 ARA), e lhes exortou a não apartar-se “esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu” (Colossenses 1.23 ARA). À igreja de Roma, Paulo lhe anunciou que “em todo o mundo, é proclamada a vossa fé.” (Romanos 1.8 ARA), porque a voz dos pregadores do evangelho “Por toda a terra se fez ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo”. (Romanos 10.18 ARA). Segundo a infalível palavra de Deus, o evangelho efetivamente se havia pregado ao mundo inteiro muito antes que Jerusalém fosse destruída no ano 70 d.C. Este sinal crucial do fim se cumpriu, como disse Jesus. Tudo o que restava era o sétimo e último sinal; e quando este evento ocorreu, a qualquer cristão que estivesse em ou próximo de Jerusalém se lhes disse que fugissem imediatamente:
7. A Abominação desoladora:
Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, atenda; Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; E quem estiver sobre o telhado não desça a tirar alguma coisa de sua casa; E quem estiver no campo não volte atrás a buscar as suas vestes. (vs.15-18)
            O texto do Antigo Testamento ao qual Cristo estava aludindo é Daniel 9.26-27, que profetiza a chegada de exércitos para destruir a Jerusalém e o templo:
O povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.
         A palavra hebraica para abominação[4] é usada ao longo do Antigo Testamento para indicar ídolos, práticas perversas e idolátricas, especialmente dos inimigos de Israel (por exemplo, Deuteronômio 29.17; 1º Reis 11.5,7; 2º Reis 23.13; 2º Crônicas 15.18; Isaías 66.3; Jeremias 4.1; 7.30; 13.27; 32.34; Ezequiel 5.11; 7.20; 11.18,21; 20.7-8,30). O significado, tanto em Daniel como em Mateus, se esclarece pela referência paralela em Lucas. Em vez de “abominável da desolação”, Lucas disse:
Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam; e os que nos campos não entrem nela. Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas. (Lucas 21.20-22)
Por conseguinte, a “abominação desoladora”, haveria de ser a invasão armada contra Jerusalém. Durante o período das guerras dos judeus, Jerusalém foi rodeada pelos exércitos pagãos várias vezes. Porém, o evento específico denotado por Jesus como o “a abominação desoladora” parece ser a ocasião em que os edomitas (idumeus) inimigos de Israel toda a vida, atacaram Jerusalém. Várias vezes na história de Israel, enquanto a cidade era atacada por seus inimigos pagãos, os edomitas haviam entrado para saquear e desolar a cidade, agravando assim a desgraça de Israel ( 2º Crônicas 20.2; 28.17; Salmos 137.7; Ezequiel 35.5-15; Amós 1.9,11; Obadias 10-16).
         Os edomitas permaneceram fiéis a sua natureza, e seu padrão característico se repetiu durante a Grande Tribulação: Uma noite, no ano de 68 d.C., os edomitas rodearam a cidade santa com 20.000 soldados. Josefo escreve que, quando eles estavam fora dos muros, caiu uma terrível tormenta durante a noite, com a maior violência, se levantaram ventos muito fortes; grandes aguaceiros; contínuos relâmpagos e terríveis trovões; assombrosos estrondos e tremores de terra, que era um terremoto.Estas coisas eram uma manifesta indicação de que alguma destruição viria sobre os seres humanos, quando o sistema mundial havia sido colocado em desordem; e qualquer  um advinharia que estas maravilhas pressagiavam alguma grande calamidade vindoura.”
            Esta era a última oportunidade para escapar da cidade condenada de Jerusalém, condenada à destruição. Todo aquele que desejava fugir tinha que fazê-lo imediatamente, sem demora. Os edomitas entraram na cidade e encaminharam-se diretamente para o Templo, onde massacraram 8.500 pessoas cortando-lhes a garganta. Enquanto o Templo era banhado de sangue, os edomitas corriam como loucos pelos ruas da cidade saqueando as casas e assassinando a todos que encontravam, inclusive o sumo-sacerdote. Segundo o historiador Josefo, este evento indicava “o princípio da destruição da cidade... desde este mesmo dia se pode datar  o derrubamento de seus muros, e a ruína de seus negócios”.
A Tribulação
Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias!E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado; Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver. (Mateus 24.19-21)
            A narrativa de Lucas dá detalhes adicionais:
Mas ai das grávidas, e das que criarem naqueles dias! porque haverá grande aperto na terra, e ira sobre este povo. E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem. (Lucas 21.23-24)
            Como se indica em Mateus, a grande tribulação haveria de ter lugar, não ao final da história, mas na metade, porque nada semelhante havia ocorrido “desde o princípio do mundo até agora, nem haverá”. Assim, pois, a profecia da tribulação se refere a destruição do templo naquela geração (em 70 d.C). Somente. Não pode fazê-la encaixar em algum esquema de interpretação de “duplo cumprimento”; a grande tribulação do ano 70 d.C. foi um evento absolutamente único, que jamais se repetirá.
            Josefo tem nos deixado um registro ocular de grande parte do horror daqueles anos, e especialmente dos dias finais de Jerusalém. Foi uma época em que “o dia se passava em derramamento de sangue, e a noite se passava em temor”; quando era “comum ver cidades cheias de cadáveres”; quando os judeus se encheram de pânico e começaram a matar-se uns aos outros indiscriminadamente; quando os pais, com lágrimas nos olhos, massacravam as famílias inteiras, para evitar que recebessem um tratamento pior pelos romanos; quando, em meio da terrível fome, as mães matavam, assavam e comiam seus próprios filhos (ver. Deuteronômio 28.53); quando o país inteiro “estava cheio de fogo e sangue”; quando os lagos e os mares estavam vermelhos, com cadáveres flutuando por todas as partes, no meio dos lixos, inchando-se ao sol, apodrecendo-se e repartindo-se ao meio; quando os soldados romanos capturavam as pessoas que tratavam de escapar e por esta razão crucificavam 500 por dia.
Seja crucificado! Seja crucificado! Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!
 (Mateus 27:22-25 ARA)
            E quanto tudo havia terminado, mas de um milhão de judeus haviam sido mortos no sítio de Jerusalém; cerca de um milhão mais foram vendidos como escravos por todo o império, e toda a Judeia vazia em ruínas em chamas, quase despovoada. Os dias da vingança haviam chegado de forma horripilante e ira intensa. Ao quebrar o pacto, a cidade santa havia se convertido em uma prostituta babilônica; e agora era um deserto, “morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável” (Apocalipse 18.2 ARA).



[1] Nota do Tradutor: γενεὰ - gênero, geração, contemporâneo.
[2] Nota do Tradutor: A versão ARA [Almeida Revista e Atualizada]  traduz o texto com um ponto final. Todavia o texto grego original tem uma interrogação, por esta razão optamos por usar a versão ACF [ Almeida Corrigida Fiel] que traduz conforme o texto grego: “Καὶ ἐξελθὼν ὁ Ἰησοῦς ἀπὸ τοῦ ἱεροῦ ἐπορεύετο, καὶ προσῆλθον οἱ μαθηταὶ αὐτοῦ ἐπιδεῖξαι αὐτῷ τὰς οἰκοδομὰς τοῦ ἱεροῦ. ὁ δὲ ἀποκριθεὶς εἶπεν αὐτοῖς· οὐ βλέπετε ταῦτα πάντα; ἀμὴν λέγω ὑμῖν, οὐ μὴ ἀφεθῇ ὧδε λίθος ἐπὶ λίθον ὃς οὐ καταλυθήσεται. Καθημένου δὲ αὐτοῦ ἐπὶ τοῦ ὄρους τῶν ἐλαιῶν προσῆλθον αὐτῷ οἱ μαθηταὶ κατ᾽ ἰδίαν λέγοντες· εἰπὲ ἡμῖν, πότε ταῦτα ἔσται καὶ τί τὸ σημεῖον τῆς σῆς παρουσίας καὶ συντελείας τοῦ αἰῶνος;”.

[3] Nota do Tradutor: A versão ACF traduz do mesmo modo, e gera a mesma confusão. A palavra no grego “τοῦ αἰῶνος;” significa “era”, “época”, “séculos”
[4] Nota do Tradutor: ‘~yciWQvi – shiqutsim

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